É um oásis na zona do Baixo Mondego, a contrastar com a artificialização desta planície aluvial do maior rio que nasce e desagua em Portugal. Uma paisagem lacustre dominada por tabúas, caniços, e os inevitáveis salgueiros e freixos que a enfeitam da melhor forma. Para não fugir à regra de uma zona húmida como esta, são as aves que reinam, principalmente no Outono e Inverno, quando aqui muitas espécies encontram abrigo e alimento.
A melhor forma para um primeiro contacto com o paul e os seus habitantes alados, é seguir o percurso pedestre marcado pela reserva, com menos de dois quilómetros de extensão.
Deve ser também levado em conta que a paisagem e vida selvagem do paul varia consoante as estações do ano. No Outono fazem escala várias espécies migradoras e as árvores ribeirinhas estão vestidas de tons quentes; no Inverno a área está mais alagada, essas árvores despidas, abundam as brumas e centenas de patos encontram aqui abrigo; na Primavera é o renascer de um novo ciclo, quando chegam várias espécies de garças e de rouxinóis de África para aqui nidificar; e depois o Verão, que marca o retrocesso da água e o esplendor verde do arvoredo.
Exposição sobre o paul
O início do trilho tem lugar no Centro de Interpretação. Será sempre uma boa oportunidade para se conhecer algo mais sobre a reserva. Para além de uma exposição permanente, proporciona ainda um bom panorama sobre o paul. Está aberto todos os dias, incluindo aos fins-de-semana da parte da tarde. Abandonando o centro, deverá seguir-se as setas que assinalam o percurso.
A reserva tem 535 hectares, sendo apenas cerca de 150 hectares de paul propriamente dito, e é parte integrante da planície aluvial do Mondego, localizada na margem esquerda do rio, a cerca de 11 quilómetros de Coimbra, e que entre a capital do Centro e Figueira da Foz toma o nome de Baixo Mondego.
Esta zona húmida estende-se pela ribeira de Cernache, hoje dividida em três braços (valas) paralelos, em virtude de uma regularização hidráulica ocorrida no passado, unindo-se depois em frente da povoação de Arzila para continuar o seu percurso em direcção ao Mondego.
Mas não se deixa de designar como um paul, já que para além de exsurgências, existe uma depressão com cerca de dois ou três metros abaixo da cota a jusante, onde se acumula uma massa de água permanente.
Dos salgueiros aos carvalhos
David Travassos 2005-12-27