No seu primeiro contacto com terras de Portugal, e demarcando ainda a fronteira com Espanha, o grande Tejo revela um cenário de horizontes bravios, onde moram águias-reais, grifos, cegonhas-negras, veados e lontras. Um dos raros sítios no país onde a natureza se impõe à paisagem humanizada. Por isso, propomos um passeio nesta paisagem única, e com a ajuda de uns binóculos, um encontro com a vida selvagem.
Ao contrário, por exemplo, de Espanha, já há muito que Portugal não conhece dentro do seu território grandes extensões “selvagens”, onde se possa percorrer quilómetros sem vestígios da presença humana. Mesmo assim, o Tejo Internacional corresponde a uma das áreas menos densamente povoadas do país, e devido a uma menor perturbação humana, a natureza conservou um riquíssimo património que ainda hoje subsiste.
Indissociável do Tejo Internacional é a própria identidade da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza. Foi ela que durante mais de uma década defendeu a preservação deste espaço de grande importância para a conservação da natureza e onde realizou projectos internacionalmente reconhecidos que incluíram a compra de terrenos.
Convém desde já notar que a área deste Parque Natural não se limita ao corredor (alargado) do Tejo. Ela acompanha ainda, para o interior, alguns dos seus afluentes, como o rio Erges (fronteiriço), a ribeira do Aravil e o rio Pônsul. São sobretudos estes cursos de água, associados a vales encaixados, que contribuem para os grandes valores naturais do Tejo Internacional. Quais? As encostas alcantiladas destes vales servem de refúgio e de local de nidificação para espécies de aves prioritárias para a conservação da natureza, parte das quais ameaçadas a nível europeu.
Rumo aos Alares
Para visitar esta região e observar a sua natureza sugerimos um pequeno percurso pedestre marcado pela Quercus, ligando o seu Centro de Estudos de Natureza dos Alares (CENA) ao "famoso" observatório debruçado sobre um magnífico troço do Tejo. Mas para isso, primeiro há que tomar uma estrada que sai do Rosmaninhal, num primeiro troço alcatroada, e depois de terra batida. Foi por esta aldeia que entrou o exército francês comandado por Junot em 19 de Novembro de 1807.
David Travassos 2005-10-04