Passeios na Natureza - Parque Natural do Douro Internacional

Reino de arribas e desfiladeiros.

Existem paisagens com o poder de nos enfeitiçar pela sua magnificência. O monumental vale do Douro Internacional fala por si. Imponente pela sua extensão, profundidade e Natureza selvagem — dos maiores santuários ibéricos para grandes aves de rapina. Para que não bastasse esse reino de arribas, o rio Águeda Internacional desenha o sul do Parque. Tesouros num território do país de rica identidade cultural. Ou não fossem estas também terras de Miranda.

São cerca de 122 quilómetros de rio Douro serpenteando entre fragas e encostas imponentes, marcando fronteira até Barca de Alva, alojando um mundo próprio de vida selvagem e oferecendo panoramas arrebatadores. Mas está longe de ser tudo. São mais 35 quilómetros de vale encaixado onde corre o rio Águeda, de sul para norte, também entre Portugal e Espanha. Sobram ainda outros afluentes do Douro, como a ribeira do Mosteiro, também ela uma intrincada rede fluvial. E do lado espanhol, o Parque Natural de Arribes del Duero, incluindo mais afluentes do grande rio.

Em suma, este é um verdadeiro reino de desfiladeiros, com vales tão profundos que chegam a ultrapassar os 350 metros de desnível, no caso do Douro. Qualquer região europeia se orgulharia de ter um parque com tais grandiosos cenários. Esta é uma das nossas jóias da coroa da Rede Nacional de Áreas Protegidas.

Um verdadeiro símbolo

Douro. Um nome quase sagrado e um rio emblemático por mil motivos, paisagísticos e naturais, históricos e culturais. É ele que dá forma à segunda maior bacia hidrográfica da Península Ibérica (primeira de Portugal, ocupando quase um terço do país, onde afluem rios como o Côa, Águeda, Sabor, Tua, Tâmega, Paiva).

Nasce nas montanhas espanholas, na serra de Urbión para, depois de percorrer 927 quilómetros — o que faz dele o terceiro rio mais extenso da Península, a seguir ao Tejo e ao Ebro — se deter no mar junto à foz do Porto.

Mas já não é um rio livre. Para garantir sobretudo a sua regularização e produção eléctrica foram sendo construídas uma série de barragens, entre as quais cinco no interior do parque natural, ou seja, no troço fronteiriço do Douro, transformando as suas águas movimentadas em cinco patamares de espelhos de água. De norte para sul: Miranda, Picote, Bemposta, Aldeiadávila e Saucelhe.

Todavia, tanto o canhão fluvial do Douro como os vales do rio Águeda e outros afluentes partilham um mundo de fragas com vida própria, já que a pouca perturbação de predadores proporcionada pelas disposições do relevo levou várias espécies de aves a construírem aí os seus ninhos.

Associadas a esse meio rupícola ou rupestre estão várias espécies ameaçadas que concentram aqui uma percentagem significativa das suas populações nacionais.

David Travassos 2006-08-02

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