Passeios na Natureza - Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros

Da Fórnea às pegadas de dinossáurios.

É uma proposta que possibilita, num dia, conhecer alguns dos maiores valores paisagísticos do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. Partindo da vila de Porto de Mós, o percurso visitará notáveis formas do relevo cársico, desde a Fórnea, aonde se chegará a pé, até às grandes depressões dos Alvados e de Minde, para depois terminar, no extremo oriental, no Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios, recuando 175 milhões de anos atrás.



Início em Porto de Mós, numa vila que se confunde com o seu castelo original de feições palacianas. Para além da respectiva visita merecida, poderá ainda conhecer o centro de interpretação do Parque Natural, que aqui tem a sua sede.

Prosseguindo estrada fora na direcção do coração do Parque, cerca de 150 metros depois do desvio para Alcaria, é hora de se deixar o carro numa pequena zona de estacionamento, perto de uma placa à direita que indica o percurso pedestre para a Fórnea.

Fórnea

Um caminho de terra com cerca de dois quilómetros de extensão atravessará formações vegetais nativas da região, antigos olivais, até se entrar num vale que culminará no lugar da Fórnea, uma construção geológica única no país. É um magnífico anfiteatro natural com cerca de 500 metros de diâmetro e 250 metros de altura, e de onde surge, a meia encosta, e após percurso subterrâneo, a ribeira homónima.

Este também é um dos raros locais de Portugal onde se podem observar gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), uma espécie ameaçada no país que apresenta neste Parque uma das maiores populações nacionais. E ao contrário das fendas e buracos de escarpas que utiliza noutras áreas de distribuição, aqui procura os algares para nidificar e se abrigar. Com alguma sorte e atenção podem ser observadas com os seus distintos voos acrobáticos.

Reino do calcário

Mais de dois terços do Maciço Calcário Estremenho — a mais importante região calcária do país — estão englobados pelo Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. E isso reflecte-se no maior conjunto nacional de formas cársicas: poljes, dolinas, uvalas, algares, campos de lapiás, canhões fluviais, numa obra em que água e rocha assumem-se como autores principais. Aqui reside a maior concentração de grutas e a segunda maior reserva de água doce de Portugal.

David Travassos 2005-08-23

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