Passeios na Natureza - Parque Natural da Serra da Estrela

O tecto de Portugal.

A grande Estrela, um marco da nossa identidade territorial. Uma fronteira entre norte e sul. O seu planalto central, acima dos 1600 metros de altitude, é uma paisagem única no país. Antigos glaciares esculpiram magníficos cenários nesta serra de pastores, e de ovelhas guardadas por grandes cães lanudos. É o berço do Zêzere e do Mondego. Uma visita ao tecto de Portugal Continental, num reino de água e granito.

Ao longe, um grande dorso, maciço, comprido, alto e plano, e no Inverno, com uma cobertura nívea. A Estrela não passa despercebida. Eleva-se ao ponto culminante da nossa cordilheira central, que se prolonga ainda, para sudoeste, pelas serras do Açor e da Lousã. E a sua grandeza não se mede só em altura, ou em altitude, não fosse esta a maior área protegida portuguesa, ultrapassando mesmo os 100 mil hectares.

Uma serra que só em 1881 é que foi alvo da primeira expedição científica, realizada pela Sociedade de Geografia de Lisboa. Vales, circos (conhecidos como covões) e lagoas glaciárias, moreias e blocos errantes. Em nenhum outro ponto de Portugal se evidenciam, como aqui, tais obras da acção glaciária. O resultado dessa geomorfologia única constitui a maior originalidade do património paisagístico do Parque Natural da Serra da Estrela.

O grande vale glaciário

Quando há cerca de 20 mil anos os gelos cobriam a Europa do Norte, e as montanhas altas da Península Ibérica, o mesmo se passava com os cumes das serras da Peneda, Gerês e, principalmente, da Estrela, cobertos de neves permanentes.

E durante o máximo da glaciação, essa calote gelada cobria, na montanha da Estrela, a parte superior aos 1600 metros, escoando depois por uma série de vales periféricos, modelando-os. Exemplo disso é o majestoso vale do alto Zêzere, um autêntico símbolo desta serra, e um dos vales glaciários mais perfeitos do continente europeu. Cerca de 10 quilómetros na forma de um “U” primoroso. Esta era a maior língua glaciária da serra da Estrela, com cerca de 13 quilómetros de comprimento.

É um verdadeiro alento visual acompanhar este vale a partir de Manteigas, para depois parar num dos circos glaciários da sua cabeceira, o Covão da Ametade, decerto um dos locais mais belos e aprazíveis de todo o Parque, com apoio ao campismo além de ser um excelente lugar para um pique-nique.

Nesse anfiteatro moldado pelo glaciar, protegido por soberbas penedias de granito e vigiado pelo imponente Cântaro Magro (1928m), corre no meio um tímido Zêzere, ainda perto do seu berço, e abraçado por um pequeno bosque onde resplandecem vidoeiros (Betula pubescens), essas árvores de tronco alvo de elevadas altitudes e latitudes.

David Travassos 2006-01-10

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