Numa paisagem florestal do centro dominada por monoculturas de eucalipto e de pinheiro-bravo, existe um pequeno enclave na serra do Açor que nos faz reencontrar com a verdadeira floresta nativa. Entre carvalhos e quedas de água, sugerimos um passeio fresco pela Mata da Margaraça e Fraga da Pena.
É uma proposta para conhecer os dois expoentes da Área de Paisagem Protegida da Serra do Açor. Na Mata da Margaraça, um pequeno percurso marcado pela área protegida leva-nos a conhecer a magia de um bosque nativo das serranias do Centro, e depois de uma ligação de carro (ou a pé) com o local de estacionamento da Fraga da Pena, um outro trilho promete descobrir os recantos desse harmonioso conjunto de quedas de água, declives rochosos e construções de xisto.
Mata da Margaraça
Ao invés dos eucaliptos, acácias e pinheiros-bravos, monocromáticos ao longo do ano, a floresta autóctone desta região mudaria de cor e de vida, ao sabor do ciclo das estações. Desde as belas cores outonais aos verdes vivos do Verão. É o caso da Mata da Margaraça, uma pequena mancha florestal de espécies nativas do Centro e Norte de Portugal.
Os seus cerca de 50 hectares são, desde 1985, propriedade do Instituto de Conservação da Natureza. Quando chegamos à Mata pela estrada de terra que a atravessa, destaca-se logo a Casa Grande — um edifício reconstruído em 1988 segundo a traça tradicional das casas de xisto da serra do Açor. De antiga habitação do caseiro da Quinta da Margaraça (o piso superior, já que o térreo servira para guardar alfaias agrícolas), é hoje o Centro de Interpretação da Área de Paisagem Protegida (embora esteja encerrado aos fins-de-semana e feriados, precisamente quando a larga maioria dos portugueses tem possibilidade de o visitar).
O percurso desce a encosta perto da casa, na companhia de carvalhos-alvarinhos (Quercus robur), castanheiros (Castanea sativa), azevinhos (Ilex aquifolium), azereiros (Prunus lusitanica), cerejeiras-bravas (Prunus avium), aveleiras (Corylus avelana) e folhados (Viburnus tinus) — um pequeno mundo vegetal que só um olhar verdadeiramente desatento não nota de diferente de tudo o que estava para trás.
David Travassos 2005-08-09