Passeio pedestre em Marvão

A pé por caminhos medievais num Alentejo diferente nada plano e cheio de relevos e com águias e sepulturas cavadas nas rochas.

O início deste percurso criado pelo Parque Natural da Serra de São Mamede é na localidade de Portagem, especificamente no Largo das Almas, onde pode deixar o carro estacionado. A Igreja da Nossa Senhora da Rocha é do século XVIII e ao que parece foi construída sobre outro templo mais antigo.

Antes de se começar a “puxar” pelas pernas não seria mal lembrado visitá-la e só então depois passar para o lado de lá do rio Sever, para ter o gostinho de pisar a ponte quinhentista que, segundo se diz, é uma reconstrução de uma antiga ponte romana. Só assim se conhece a torre quadrada do século XIV que, hoje em dia já não cobra imposto. 

De volta ao Largo das Almas, uma placa de madeira com o símbolo do parque identifica onde começa o percurso. Olha-se para cima do monte mais alto que se vê e encontra-se Marvão. Na caminhada chegaremos lá perto mas só os mais corajosos é que terão ainda forças para passear pela vila.  

A subir

Anda-se em plano apenas alguns metros até o caminhante encontrar à sua direita uma placa pintada de verde e branco que indica que está na altura de mudar de rota, à esquerda. É a partir daqui que começa a acção propriamente dita. Sai-se da estrada alcatroada para se começar a subir pela calçada de Marvão que é medieval mas que está assente num antigo caminho romano. 

À medida que a percorremos não será difícil identificar sobreiros, carvalhos e castanheiros. É a junção do clima atlântico com o mediterrânico que proporciona este tipo de vegetação. Pinheiros bravos também são vistos por aqui, principalmente nas encostas montanhosas assim como uma ou outra oliveira a lembrar da importância que teve outrora para as populações locais. Plantas como o rosmaninho emprestam o seu aroma à caminhada. Encontra-se ainda urzes, carquejas e giestas. Já perto do fim da calçada, começa a dominar terreno o sobreiro. Afinal já não falta tudo… 

No ponto mais alto

A calçada desemboca perto da igreja e do antigo Convento da Senhora da Estrela, padroeira da vila. A vista daqui é fabulosa. Quem tiver o mínimo de orientação encontra facilmente na paisagem as cristas de quartzo da fronteira de Galegos e a serra de nome Selada, ambas a sudeste. Já a sul, avista-se o chamado Alto de São Mamede, o ponto mais alto da serra com o mesmo nome.

O convento franciscano foi fundado em meados do século XV mas sofreu modificações nos três séculos seguintes. Como não está aberto a visitas, já que actualmente alberga um lar de idosos, aproveita-se a oportunidade para visitar a igreja. Para isso, há que se dirigir ao lar e pedir a chave. O altar-mor, de mármore de Estremoz, é do século XVIII. Ainda no seu interior observa-se restos de azulejos de Seiscentos.

À frente do templo, existe um cruzeiro manuelino classificado como monumento nacional, todo em mármore, assente em degraus de granito que data do século XVI. E ali ao pé, há uma fonte que jorra água fresca. Se as reservas do precioso líquido já se tiverem esgotado está na altura de reabastecer.

Depois desta primeira prova de fogo, quem achar que tem forças para fazer o resto do percurso e ainda visitar a vila, encontra, aqui e agora, a oportunidade ideal. É só subir mais uns metros para se ficar a conhecer Marvão.

Paula Oliveira Silva

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