Passeio na Natureza - Parque Natural do Alvão

Pequeno em dimensão, mas grande em diversidade

Terra de montanha e planalto, rios e cascatas, carvalhais e vidoais, mas também de pinhais e matorrais. Morada de lobos e gralhas-de-bico-vermelho, e de velhas aldeias que transformaram fortes declives em escadarias de socalcos, e onde prados naturais alimentam corços e vacas maronesas. São os domínios do Alvão, pequeno como Parque mas grande em diversidade.

É tarefa difícil definir-se onde acaba a serra do Marão e começa a do Alvão, tal é a sua intimidade neste que é um dos conjuntos montanhosos mais significativos de Portugal. Ambas integram a denominada “barreira de condensação”, numa faixa de relevo que se prolonga da Peneda e Gerês até ao Douro, e onde se precipitam massas de ar húmido provenientes do mar, tornando por isso Trás-os-Montes uma região mais seca. Estamos numa destas fronteiras, se bem que este Parque Natural, ocupando maioritariamente a vertente ocidental da serra do Alvão, num imenso anfiteatro voltado para a humidade oriunda do oceano, seja mais verde que seco, mais atlântico que continental.

A montanha e o planalto

Ocupando o norte e leste do Parque, e mais de metade da sua superfície, a zona de montanha e planalto adjacente encontra-se acima dos mil metros de altitude. Aqui eleva-se o ponto culminante do Alvão — Alto das Caravelas (1330 m) —, numa paisagem dominada pelos granitos, e que corresponde à cabeceira do rio Olo, o principal curso de água do Parque, ainda antes de se fundir nas águas do Tâmega. É ele que empresta o nome a uma das mais emblemáticas aldeias do Parque, num planalto aberto logo abaixo dos cumes: Lamas de Olo.
Junto à povoação, e sob influência do rio, estendem-se mosaicos de lameiros intercalados com bosquetes de carvalho-negral (Quercus pyrenaica) e de vidoeiro (Betula alba), proporcionando quadros de grande beleza paisagística.
Esses prados permanentes, compostos por vegetação herbácea natural e presentes por todo o Parque, são alvo de um sistema de rega artesanal contínuo, com base em levadas rudimentares. Uma camada fina de água vai escorrendo lameiros abaixo até aos prados que acompanham as margens dos cursos de água. A este sistema chama-se “rega de lima”, e não só protege a erva da geada no Inverno, como da secura no Verão. Hoje ainda marcam a paisagem rural de montanha de diversas áreas do Norte de Portugal, assumindo um papel ecológico importante como habitat.

David Travassos 2006-06-28

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