Passeio nº 7 – Costa Alentejana

Alentejo à beira-mar.

Dormir como um rei

É o que lhe vai acontecer se escolher ficar na Pousada de D. Afonso II, em Alcácer do Sal. Fica a dita no interior das muralhas do castelo, renascida das ruínas do antigo Convento de Nossa Senhora de Aracoeli. A carga histórica deste lugar por onde passaram fenícios, romanos e mouros é perpetuada num pequeno museu instalado nos níveis mais baixos do edifício. A reconversão dos antigos aposentos monacais trouxe o conforto moderno e nova vida a este monumento.

E, remate ideal para tudo isto, a belíssima paisagem que se avista lá do alto, com os meandros do Sado e os arrozais a perder de vista, sobrevoados pelo voo majestoso das cegonhas que por aqui se fixaram às dezenas.

Num outro registo, a Albergaria da Barrosinha, a apenas dois quilómetros e Alcácer do Sal e vizinha das margens do Sado é outra hipótese, esta pesando menos na carteira. O edifício apresenta-se com traça regional e a decoração tem por mote a caça.

Fique na pousada ou na albergaria mas não vai deixe de jantar que nem um abade no Restaurante A Escola na localidade de Cachopos. A Estrada Nacional 253 que vai de Alcácer à Comporta deixa-o lá sem qualquer desvio. Esta antiga escola primária do Estado Novo quer agora ensinar a cartilha da gastronomia do Baixo Sado. Já ganhou vários prémios gastronómicos e tem na Empada de Coelho Bravo acompanhada de Arroz de Feijão um dos pratos–emblema da casa.


Alentejo com praias e lagoas

Arranque de Alcácer pela manhã na direcção do litoral atlântico de Grândola, um bom exemplo de costa que regista pouca intervenção humana. A Lagoa de Melides e a praia que lhe faz companhia é, para já, o primeiro destino. Segundo se diz, nesta praia terá naufragado Fernão Mendes Pinto, atacado por corsários franceses. Poucos quilómetros a sul deve procurar pela Lagoa de Santo André, o maior sistema lagunar da costa alentejana. 

Estas lagoas albergam uma grande diversidade de fauna e flora, com mais de duas centenas de espécies já identificadas sendo algumas delas protegidas. De ano para ano mudam de aspecto. Nem é tanto trabalho da Natureza mas antes das autoridades regionais que autorizaram a abertura da laguna ao mar a fim de se proceder a uma renovação das águas e entrada de peixe novo. De outra forma o assoreamento natural acabaria por secá-la de vez.

O almoço poderá ser em Sines. Na Varanda do Oceano, por cima do Porto de Pesca, cuja panorâmica é agradável. Oferta de pratos de peixe e marisco na sua maioria. Com o mar assim tão perto não é de estranhar.

Outra hipótese é o Trinca-Espinhas na estrada de São Torpes para Porto Covo. A oferta gastronómica é equivalente, a servir-se do que do mar vem, mas o ambiente é outro. Por se situar numa praia, muito frequentada pelos surfistas e a casa ser de madeira faz lembrar as férias grandes.


Três mentiras descaradas

Depois de almoço espera por si Porto Covo. Para lá chegar é só fazer a estrada que acompanha a costa. O café, se não o tomou ao almoço, fica por conta de uma das esplanadas da praça pombalina. A planta foi, provavelmente, inspirada no modelo lisboeta. É aqui que se situa o principal monumento da povoação, a pequena Igreja de Nossa Senhora da Soledade.

Paula Oliveira Silva 2005-01-25

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