O Tejo não é só Lisboa. Subindo o rio de carro até Abrantes, descobrimos paisagens onde a Natureza ainda guarda qualquer coisa de poético e as povoações fazem lembrar aguarelas.
Ao longo do Tejo
Por uma vez, Santarém não é o objectivo de um passeio, é apenas o início. Na estação ferroviária, aproveitamos para conhecer os bonitos painéis de azulejos. Tendo a sorte de se encontrar por aqui à terça-feira (único dia em que está aberto ao público em geral), não deve perder a oportunidade de visitar o Núcleo Museológico da CP. Em exposição estão algumas das carruagens do comboio real e sua locomotiva.
Ao fundo da estação (lado norte) passamos de carro para o lado de lá da linha e seguimos pela esquerda, na zona chamada de Ribeira de Santarém. Deriva uma estrada junto às zonas submergíveis do Tejo que faz toda a diferença.
Uma paisagem verde viçosa acompanha-nos até Azinhaga. As lezírias recortadas por ribeiras são uma imagem recorrente ao longo do passeio e têm o mérito de não cansar.
Tal como o rio Almonda que atravessa a aldeia, também nós o fazemos, mas seguindo de carro pela estrada principal. À entrada, uma placa informa que estamos prestes a entrar na “Aldeia mais portuguesa do Ribatejo”, epíteto que lhe ficou do concurso realizado em 1938 das aldeias mais portuguesas.
Outro motivo a torna conhecida, o facto de aqui ter nascido o Nobel da Literatura (1998), José Saramago. Uma placa assinala a casa onde nasceu o escritor a 16 de Novembro de 1922. (A meio da Rua Principal, do lado direito).
Várias capelas e igrejas existem nesta povoação como se aperceberá, porém, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, do século XVII, dificilmente passa despercebida. É o maior templo da borda d’água e chegou a ser totalmente arrasada pelas tropas francesas durante a terceira invasão.
Cerca de um quilómetro e meio depois encontramos a placa indicativa do Paúl do Boquilobo, uma zona húmida situada junto ao Almonda. Não fosse a sua enorme importância como reserva natural e não falaríamos dela aqui, pois no âmbito deste passeio não terá tempo para uma visita.
A trote ou a galope
Golegã, a capital nacional do cavalo, quase que dispensa apresentações. Anualmente a Feira Nacional do Cavalo celebra-se em Novembro, por alturas de São Martinho. Em Maio é a vez da Expoégua, concurso e venda destes animais. (Este ano foi cancelada esta última).
À entrada da povoação, chama a atenção um chalé do século XIX. Trata-se nada mais nada menos da Casa José Relvas que acolhe o seu estúdio fotográfico, o primeiro em termos mundiais a ser construído de raiz. Foi recentemente restaurado por completo e ainda aguarda a sua abertura ao público. Este pioneiro da fotografia era fidalgo da casa real, músico, lavrador e cavaleiro tauromáquico.
No centro histórico da vila, conhecido actualmente por Praça, o rei D. Manuel I mandou erguer uma igreja consagrada a Nossa Senhora da Conceição que merece visita. O pelourinho é, provavelmente, do século XVI.
Paula Oliveira Silva 2006-05-10