Imagine um parque natural quase sem árvores, composto por imensos planaltos com campos de trigos e alguns carvalhos solitários que na Primavera sobressaem no meio do nada, talvez como se fossem espantalhos a vigiar os campos de cercal da cobiça dos pássaros. Imagine depois que também há giestas floridas em tons de amarelo, que olham ao longe para um gigante adormecido, omnipresente, que se chama rio Douro, e que percorre um leito fundo, cavado ao longo de milhões de anos no xisto transmontano. Se algum dia visitar o Parque Natural do Douro Internacional, já não precisa imaginar, para conhecer este território tão sui generis, que embora esteja situado a norte, lembra por vezes as planícies do sul.
De Barca D’Alva a Miranda do Douro
Não é numa tarde que se visita o Parque Natural do Douro Internacional. Dois dias não será demais para percorrer tranquilamente os principais lugares de interesse, ao longo de mais de 100 quilómetros de costa…fluvial, para quem vai com olhos de ver. O sossego, a paz relaxante que transmite esta imensidão de terreno, tornam meritório qualquer esforço para o conhecer.
Embora os seus limites geográficos estejam compreendidos a sul pela aldeia de Escarigo, próxima de Figueira Castelo Rodrigo, e a norte, por Paradela, a visita merece a pena entre Barca D’Alva e Miranda do Douro. Na primeira vila, é onde o rio Douro encontra Espanha e, passa a ser designado como internacional. A segunda, quase no extremo norte, assume-se como o centro urbano de maior importância na região.
N'Dalo Rocha 2002-06-04