Podem ser dias inteiros em praias desertas ou a cavalo pelo campo fora. Mas também dá para fazer canoagem com banhos em cascatas, BTT e passeios pedestres. Em terra ou no mar, à volta da Zambujeira, tem muito por onde andar.
O passeio já durava há quase uma hora. Finalmente, uma duna de areia fina e a égua quis mesmo seguir a galope, entre uma rocha mais alta e a falésia sobre o mar. De resto, à volta mais nada. Nem ninguém.
Com as éguas devidamente aparelhadas, tinha-se atravessado a estrada de alcatrão e seguido pelo campo fora, entre silvas, amoras tão maduras que apetece esticar a mão e apanhar logo ali umas quantas, campos cultivados de milho, feijão ou girassóis, pinhais e finalmente as tais dunas. Não dá para saber ao certo a distância, porque os bichos não vêm equipados com conta-quilómetros e aqueles caminhos não são estradas, mas devem ter sido uns sete ou oito até chegarmos às dunas, de onde se avista da Zambujeira do Mar até lá ao fundo, ao cabo Sardão (apesar do nome, um dos mais bonitos que por aqui há).
O passeio seguiu para sul, em direcção à Praia do Carvalhal, passando encostado à falésia, até se descobrir praias que mesmo os mais habituais nestas paragens duvidam que existem. Mas elas lá estão, enseadas curtas de mar azul, azul-clarinho e às vezes verde. De acesso difícil, é certo, mas quem se atrever será recompensado com um prémio que já vai sendo raro: praias desertas.
O caminho de volta, sempre diferente do de ida, fez-se mais pelo interior, tanto por campos lisos e cultivados como por veredas mais íngremes atravessadas por ribeiras.
Praia e cavalos
O dia pode começar às horas que se quiser. Pelo menos aqui, no Monte do Papa-Léguas. Para evitar a desgraça de acordar cedo em férias ou passar os dias a perder a primeira refeição do dia, serve-se o pequeno-almoço até às três da tarde, se for caso disso.
Depois, o melhor é seguir para a praia. Pode ser a do Carvalhal, a dos Alteirinhos, para quem gosta de nudismo colectivo, ou uma outra qualquer à escolha. Basta procurar junto ao mar. Ou perguntar na recepção, onde emprestam uma carta militar que também serve de orientação para passeios pedestres ou em btt. Espaço não falta, haja pernas para isso.
Se o dia foi de praia, o fim da tarde pode ser um dos seis longos passeios a cavalos. Coisa para durar umas três horas, seja para sul, para norte ou mais para o interior, em direcção à serra. Se o corpo estiver para aí virado, e o grupo for à volta de quatro pessoas, também se arranjam passeios de dia inteiro. Um luxo, com percursos variados e almoço em versão piquenique chique com toalha branca e mesa devidamente montada.
Outros caminhos
Mas, como nem toda a gente monta a cavalo e no Papa-léguas não gostam de nos deixar sem nada para fazer – a menos que seja para isso que para lá vamos – o dia pode ser passado em banhos de cascata e subidas ou descidas do rio Mira em canoa. Arranca-se cedo, almoça-se e faz-se canoagem. Com um detalhe: sempre a favor da corrente, para não cansar demais.
Henrique Burnay