Palácio Belmonte - Lisboa

Já foi cenário de filmes e faz as delícias dos turistas que visitam Lisboa. Conheça um esconderijo de luxo no Castelo de S. Jorge.

Junto às muralhas

Já serviu de cenário em filmes como Lisbon Story de Wim Wenders e Afirma Pereira, com Marcelo Mastroiani, e é referência assídua em diversos guias e revistas internacionais, incluindo os mais prestigiados.

Pode ser um dos hotéis mais caros de Portugal e arredores, mas em boa verdade, o Palácio Belmonte nem sequer se pode considerar um hotel de cinco estrelas no sentido clássico do termo. Casa de Hóspedes de luxo é talvez a melhor definição, até porque as suas dez suites não permitem grandes enchentes, prevalecendo o trato personalizado, onde cada cliente é cuidado como se fosse um convidado especial.

A maioria dos hóspedes que aqui se aloja vem com o propósito simples de descansar, passear e conhecer Lisboa. Praticamente não se vêem engravatados a correr de laptop em baixo do braço ou a poluir o lobby com toques polifónicos de telemóveis último grito.

Por estes dias, saem e entram casais de ar pacato, de calções e ténis, e máquina digital a tiracolo. Tudo ocorre no pátio Dom Fradique, passagem antiga que liga os bairros de Alfama e do Castelo. Moradores, turistas e curiosos atravessam-no a qualquer hora do dia, o que dá um certo ar pitoresco e se enquadra muito bem neste palacete pré-pombalino, localizado no berço da cidade de Lisboa, o Castelo de São Jorge. Uma nota curiosa: no local onde existe hoje o hotel, funcionou num passado recente uma esquadra de polícia. Dá para dizer que não escolheram mal, não senhor.

Suites de sonho

Com excepção do rádio com leitor de CD, não existem aparelhos modernos. Computadores, televisões ou ecrãs de plasma estão banidos e não há excepções à regra, mesmo quando uma famosa actriz pediu encarecidamente que lhe colocassem uma televisão no quarto. Alegava que só conseguia dormir a olhar o pequeno ecrã, mas o pedido foi indeferido. No final da estadia, até agradeceu pelas noites tranquilas que teve.

Aos aposentos não podemos chamar quartos, pois do que realmente se trata é de dez suites de sonho. Antecâmaras, salas, salões de banho, não interessa, apenas uma cama e só de casal. Não há concessões para camas extras. Contudo, como as camas são infinitamente amplas, cabem até três adultos, e em situações de emergência também pode servir. Aconteceu com um casal que viajava com a sogra e escolheu o Palácio de Belmonte. E como só havia um quarto disponível, lá teve que ser por duas noites.

Bem, mas voltando ao tema central deste capítulo, a decoração respeitou fielmente a traça setecentista e oitocentista, conforme os aposentos. Parece que fizemos uma viagem no tempo ao pisarmos um chão de madeira antiquíssimo, ao reparamos nas pinturas das paredes ou do tecto, ou quando exploramos os nossos domínios e olhamos com mais atenção para a secular cómoda de madeira com cheiro a cedro.

A este classicismo contrapõem-se com equilíbrio alguns detalhes modernos, nomeadamente as casas de banho, luminosas e agradáveis, todas diferentes e algumas até com pormenores fascinantes. Por exemplo, o jardim interior da suite Gil Vicente, localizada no terceiro andar e com um pátio privado. Ou então, até mesmo a casa de banho da suite Bartolomeu de Gusmão, que se abre sobre dois enormes janelões com vista para o rio.

N'Dalo Rocha 2004-09-14

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