Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica

Mais de 13 quilómetros de uma arriba.

São mais de 13 quilómetros de uma arriba de tons ocres, e quentes, a emoldurar a costa, ora mais próxima do Atlântico, ora mais recuada. Numa parte do topo, e com uma vista privilegiada, estende-se a Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos, um encontro de pinheiros-mansos, zimbros-costeiros e aroeiras. Em baixo, um extenso areal banhado por um mar azul. Um milagre que tem sobrevivido num território massacrado pela construção.

O nome de arriba fóssil advém da sua actual posição recuada em relação ao mar. Ela é o elemento central desta paisagem costeira. Começa na Trafaria, onde chega quase aos 90 metros de desnível, e termina, já mais suave, junto à lagoa de Albufeira. Mas é a partir da Costa da Caparica que começa a Paisagem Protegida. E não deixa de ser notável que a partir desse aglomerado urbano, e até ao cabo Espichel, se estenda um troço costeiro com cerca de 30 quilómetros, ou seja, praticamente toda a costa ocidental da península de Setúbal, onde quem impera ainda é o espaço livre de urbanizações. Com um desnível médio a rondar quase os 70 metros, ela não passa despercebida. Inclusive, com boa visibilidade, a partir da costa do Estoril, a cerca de 20 quilómetros de mar. Principalmente quando o sol desce para o seu leito e pinta quase de vermelho essa extensa parede de arenitos voltada para o azul marinho. Agentes erosivos como a chuva e o vento tem-na esculpido ao longo do tempo, originando esculturas notáveis, visíveis sobretudo nas diversas ravinas que a sulcam, principalmente entre a Fonte da Telha e a lagoa de Albufeira. Por outro lado, este geomonumento é um repositório de memórias com milhões de anos, como atesta o seu rico património de fauna fossilizada.

Mata dos Medos

No topo da arriba desenvolve-se outra importante unidade paisagística: o pinhal que se estende por essa plataforma costeira, atingindo os 111 metros de altitude. E aqui revela-se a Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos, criada em 1971, localizada na parte intermédia da Paisagem Protegida.
É um segmento com cerca de 300 hectares, dominado por um pinhal de pinheiros-mansos (Pinus pinea) assente numa série de antigas dunas, com um denso coberto arbustivo onde se destacam magníficos exemplares de zimbros-costeiros (Juniperus turbinata), que aqui assumem um porte arbóreo considerável. Consta que a mata terá sido plantada sob ordem do rei D. João V para conter o avanço das dunas (ou “medos”). Medronheiros (Arbutus unedo) e rosmaninhos (Lavandula stoechas) são exemplos visíveis de uma rica colecção botânica que engloba três espécies endémicas de Portugal e 15 da Península Ibérica.

David Travassos 2006-05-31

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