Olivença

Nasceu árabe, foi espanhola e durante 500 anos esteve sob domínio português, com umas guerras à mistura pela sua posse. Há dois séculos voltou a ser espanhola, mas as muralhas e o castelo, foram construídos por portugueses. Um caso único em toda a Península Ibérica.

Las mujeres de Olivenza No son como las demás, Porque son hijas de España Y nietas de Portugal (...) Canção popular Oliventina.

Porquê Olivença

Já passaram 200 anos desde que a questão ficou resolvida para uns, mas por resolver para outros. Por cá, os mais nacionalistas ainda se emocionam quando falam de um território que “é nosso”, apesar de na prática já não ser.

O interessante desta visita é isso mesmo. Sem se cair em nacionalismos exacerbados, tentar descobrir uma povoação simpática que já fez parte de Portugal. E o legado arquitectónico deixado pelos portugueses continua bem patente em Olivença. Desde as muralhas ao castelo edificado pelos lusitânos para ironicamente se defenderem dos espanhóis. Hoje, parece que o feitiço se virou contra o feiticeiro, mas a história por vezes é assim, paradoxal, pois os tempos mudaram e, ao contrário de Espanha, Portugal, já nem tem rei, nem Olivença oliveiras.

Esta é uma surpreendente constatação que fazemos do alto dos 37 metros da torre do castelo, a partir da qual avistamos campos de trigo de perder de vista, sem nenhuma sombra. O progresso industrial descaracterizou a paisagem e à vista desarmada já não encontramos as árvores que deram o nome à terra.

A cidade

Olivença ou Olivenza, para os “nuestros hermanos” é uma cidade pacata na planície estremenha. Não é grande e, vista de longe, sobressai sobre os telhados a torre de menagem do castelo, construída no centro. As casas, são quase na totalidade brancas e denotam algumas influências andaluzas no traço, o que prova que o sul não está longe.

Na parte velha, encontram-se alguns vestígios da antiga cidade medieval iniciada no tempo de D. Dinis e edificada sobre os restos da fortaleza templária. Naquela época Olivença dispunha de quatro portas que lhe davam acesso e, até hoje, duas dessas entradas conseguiram sobreviver, a de Los Angeles (também conhecida como Espíritu Santo) e a de Alconchel, que repartem actualmente paredes meias com as casas que as rodeiam. Dão um ar pitoresco ao bairro, combinando diferentes estilos arquitectónicos, para além da cor castanha dos tijolos contrastar com a brancura alva da cal das casas.

Dentro desta área encontra-se o Alcácer, também conhecido como “castillo” e a famosa Torre del Homenaje, para além da magnífica igreja de La Magdalena, um excelente exemplar do estilo manuelino. E tudo isto e algo mais, legado português... em Espanha. Tem graça, pois à conversa com os polícias, descobre-se que talvez a maioria dos turistas são do lado de cá do Guadiana. Provavelmente, mais do que o património, muitos serão motivados pela questão oliventina, mas de qualquer modo, ainda bem que é assim.

N'Dalo Rocha 2002-11-19

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