Observação de Aves

Que as aves andam aí, de um lado para o outro, todos sabemos. A fazer o quê, também desconfiamos. Mas identificar cada uma delas, perceber de onde vêm e para onde vão, isso é que é mais complicado.

Como identificar

O Tamanho – A correcta avaliação do tamanho é o primeiro passo para a identificação de uma ave. Escolha três aves vulgares com que esteja mais familiarizado e aprenda as suas dimensões e formatos, depois é só comparar as outras aves com estas. A ideia é perceber se são maiores ou mais pequenas. Para começo, não é lá muito complicado.
A Cor – Deve tentar sempre identificar as cores e as partes do corpo por onde esta se distribuí. Sempre que possível aperceba-se das diferenças de cor entre a parte de cima do corpo e a parte de baixo. A ter em conta que em certas condições de luz, as cores podem parecer diferentes daquilo que são na realidade (contraluz).
Características específicas – A maior parte das aves possui marcas particulares que as distinguem das outras. Deve procurar qualquer marca que se saliente da plumagem, como uma crista, manchas no peito, desenhos faciais, linhas e anéis juntos aos olhos, marcas na cauda, padrões das asas.
Forma e silhueta– Deve prestar atenção à forma do corpo, pescoço e bicos. A correcta noção das formas vai ajudar muito na identificação.
Comportamento e tipos de voo – Muitas espécies têm um comportamento característico, dentro do grupo dos patos há os que se alimentam à superfície e outros que mergulham, o peneireiro é capaz de pairar batendo as asas e quando avista a presa empreende um voo picado. Preste atenção à maneira como voam, é muito importante esta característica, repare em marcas nas asas, se o voo é planado ou batido, se é em linha recta ou irregular.
Cantos e chamamentos – Escutar os sons produzidos é das melhores formas de identificar uma ave, particularmente útil para detectar e identificar as espécies que frequentam áreas de vegetação densa e que raramente se deixam ver, como o frango d’água e os rouxinóis.
Plumagens – Muitas espécies mudam de plumagem consoante a estação do ano, na época nupcial por exemplo. Noutras os machos têm plumagem diferente da fêmea. Também as aves juvenis e imaturas apresentam plumagens diferentes dos adultos.

Quando observar

Das quase 300 espécies que frequentam o nosso país, umas são residentes outras migradoras, Portugal serve de local de invernada, de reprodução e de passagem migratória para muitas espécies. No Paleárctico Ocidental, as aves que se reproduzem nas regiões mais setentrionais efectuam deslocações para sul, fugindo aos rigores do Inverno. Muitas passam a estação fria no nosso território, outras passam o Inverno em África e chegam ao nosso país na Primavera para aqui se reproduzirem. Assim, o Inverno é a melhor estação para observar as aves aquáticas, vindas do Norte e Centro da Europa.

Na Primavera chegam as aves para nidificar, uma estação cheia de cor e de sons. O Outono é a estação em que umas partem e outras chegam, óptimo para observar os grandes bandos de aves migradoras. Durante todo o ano é possível observar as espécies residentes.
Seja como for, as melhores alturas para observar são o amanhecer e entardecer, altura em que as aves são mais activas. E, já agora, não se esqueça de que qualquer observador de aves responsável tem como ponto de honra evitar perturbar as aves. E, por favor, redobre os cuidados na época da reprodução.


O material

Para além de tempo disponível, a observação de aves requer algum equipamento específico.

Binóculos – São a ferramenta indispensável para o sucesso da observação. Existem imensos modelos e marcas no mercado, mas na hora de comprar para além do preço é preciso olhar o peso e sua resistência. A luminosidade é um factor muito importante.
Com certeza que lhe irão surgir muitas sugestões em termos de ampliação, mas o melhor sem dúvida alguma são os modelos 10X50, de uso mais corrente pela maioria dos ornitólogos (o nome sério que se dá a quem observa aves).

Telescópios – É um instrumento relativamente caro. Não são essenciais na observação de aves, mas permitem apreciar pormenores difíceis de ver com binóculos. Ideais para observar a partir de um abrigo e a longa distância. O seu uso implica o recurso a um tripé. Os melhores serão os de objectiva fixa de 20 ou 30X.

Guias de Campo – Fundamental para qualquer observador de aves. Na hora da compra é preciso ter em conta a qualidade dos desenhos - os melhores guias apresentam as aves desenhadas e não em fotografia - a qualidade dos textos e mapas de distribuição. Deve ser de tamanho reduzido, se não trouxer uma capa de plástico protectora ou for pouco resistente, será aconselhável plastifica-lo. Alguns bons guias são: Aves de Portugal e Europa, Guias Fapas (1993). (Edição portuguesa do Hamlyn Guide, Britain)
J. C. Farinha, H. Costa 1999. Aves Aquáticas de Portugal. ICN, Lisboa.
(Loja do Ambiente – Instituto de Conservação da Natureza)
CEMPA, 1989. Atlas das Aves que nidificam em Portugal Continental.
( Loja do Ambiente – ICN)
As Aves do Estuário do Tejo, 1998, ICN, Lisboa. ( Loja do Ambiente – ICN)

Caderno de campo – É onde se anotam os pormenores das aves observadas e as características dos locais visitados.

Roupa – A roupa a utilizar em campo deve ser, para além de confortável, discreta. O calçado deve também ser confortável e resistente. Se formos observar para uma área húmida é aconselhável levar um par de meias a mais, não vão os pés ficar encharcados.

Onde observar

Onde é que posso ir para ver aves? Onde haja céu, claro. Mas céu há em toda a parte. Será necessário ir para longe, fazer quase um safari? Nada disso. Existem muitos e bons locais de fácil acesso, alguns até bem perto das nossas cidades. Segue-se uma lista de sítios interessantes para a observação de aves.
Toda a Rede Nacional de Parque e Reservas, áreas com elevado património natural, de destacar as zonas húmidas como a Reserva Natural do Estuário do Tejo, do Paúl do Boquilobo, do Estuário do Sado, da Lagoa de Santo André, da Ria Formosa. Os Parques Naturais do Tejo Internacional, do Douro Internacional, de Montesinho.
Outras áreas; Castro Verde, Penedo Durão (Freixo de Espada à Cinta), troço do Águeda Internacional (Figueira de Castelo Rodrigo), Barrancos.

Nuno Luzia 2002-02-19

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