Para namorar e outras coisas mais
Quem se lembra do Verão passado, aquele que é exortado como um dos mais quentes dos últimos tempos, com certeza recordar-se-á do rasto de destruição deixado pelo fogo infame, implacável. Algumas famílias perderam tudo e é dramático atravessar os concelhos de Proença-a-Nova ou Mação e verificar que são milhares de hectares calcificados. Triste, para não dizer deprimente. Porém, ainda há lugares em Portugal onde o pretexto para fazer bonitos passeios é precisamente a mata.
O secular Pinhal de Leiria é um deles. E apesar de também ter sido ligeiramente fustigado por fogos, continua a ser a maior mancha contínua de pinho de Portugal. Entre a Marinha Grande e o mar, de São Pedro de Moel até à Praia da Vieira e mais para norte até, ele está lá. Saudável, ainda é o destino predilecto de patuscadas, piqueniques, passeios e claro, namoricos.
Por essa mata adentro
Com milhares de hectares de mancha, obviamente que existem diversas estradas nacionais e florestais que o cruzam, não existindo por isso apenas um roteiro de visita. Porém, uma boa sugestão para quem não conhece é começar na Marinha Grande, ir até junto ao mar e depois derivar para norte ou para sul.
Assim, deixando para trás a cidade vidreira, rapidamente se penetra numa mata cerrada de pinheiros bravos, que de tão concentrados que estão, a luz solar dificilmente aquece o solo no qual, para além das pinhas, há também fetos arbustivos, rosmaninho e alguns salgueiros.
À medida que nos vamos aproximando da costa, penetramos nos pinhais que defendem a paisagem costeira, nomeadamente do Pedrógão, das Dunas do Liz e do Concelho. Mas curiosamente, alguns destes pinhais são constituídos na sua maioria por pinheiros mansos, talvez porque as suas copas mais densas conseguem segurar melhor as areias do mar.
Ao longo da costa
Junto à Praia da Vieira, na simpática estância balnear, encontramos alguns pescadores que aproveitam o pontão para tentar a sua sorte com o peixe. É pena não estarmos ainda na época de banhos, pois a piscina encontra-se encerrada assim como o posto de turismo. Aproveita-se a maresia e caminha-se pela areia húmida da praia.
Deixando a Praia da Viera para trás, segue-se pela estrada que nos leva a São Pedro de Moel. Recentemente asfaltada, tem rectas intermináveis que chegam a tornar-se monótonas. Mas o segredo está na forma como se pretende vencer os cerca de dez quilómetros que separam estas duas localidades. Isto porque paralela à estrada, existe uma recente pista de bicicletas que também pode ser utilizada por patinadores ou, para os mais resistentes, apenas para um desafiante jogging.
N'Dalo Rocha 2004-03-23