O oeste micaelense

De Ponta Delgada aos Mosteiros, com passagem pelas lagoas.

A pretexto de conhecermos a lendária Lagoa das Sete Cidades, fizemos um percurso alargado que nos permitiu cobrir uma porção do território de S. Miguel situada na região oeste da ilha. Descobrimos essa e outras lagoas, para além de mais uns recantos deliciosos.

Um percurso tranquilo Saímos de Ponta Delgada em direcção ao aeroporto e prosseguimos até Relva, a povoação que nos traz o mar para perto. Vamos manter-nos juntos durante alguns quilómetros, o que implica que, tal como a Lagoa das Sete Cidades, também o nosso percurso se colora de verde de um lado, e de azul do outro. O percurso decorre sem perturbações. Há pouco movimento na estrada, e o que há desenvolve-se com grande cordialidade, o que nos permite apreciar tranquilamente as paisagens que vamos atravessando. Ainda antes de nos desviarmos da costa, não resistimos a espreitar a Rocha da Relva, um recanto sossegado em frente ao mar onde se ouvem apenas os pássaros, lugar de eleição para alguns privilegiados veraneantes que ali possuem casas de férias. Os pequenos vinhedos denunciam a produção caseira de “vinho de cheiro”, aproveitando as condições que aqui são propícias a esse cultivo.

Águas doces

É então que iniciamos a subida até às lagoas. Sim, porque antes de chegarmos à das Sete Cidades ainda passaremos por umas quantas, de menores dimensões, todas com o seu encanto muito particular. À nossa volta, a paisagem começa a dar sinais de interioridade: a vegetação é cada vez mais cerrada, as hortênsias multiplicam-se à beira da estrada e a atmosfera marítima é substituída por uma frescura mais florestal.

O miradouro do Carvão proporciona-nos a nossa primeira vista do alto, que abrange as costas norte e sul da ilha e permite divisar o maciço da Lagoa do Fogo, ao fundo. Um pouco adiante, o miradouro do Pico do Paúl já nos mostra as lagoas que nos trouxeram até aqui. Mas queremos vê-las mais de perto.

As Lagoas Empadadas são duas irmãs gémeas capazes de baralhar o visitante mais orientado, uma vez que de uma não se consegue avistar a outra, e no entanto são praticamente iguais. De forma arredondada e rodeadas de vegetação algo florida, proporcionam cenários muito agradáveis para longos passeios a pé.

A Lagoa Rasa já não pertence à família anterior. Mais ampla e com um desenho menos regular, encontra-se bastante coberta de nenúfares. Para lá chegar temos que percorrer um caminho que rompe o arvoredo cerrado, depositando-nos numa extensa e iluminada clareira.

Ana Marta Ramos 2004-08-17

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