O arco-íris das compras

Para marcar um look diferente é meio caminho andado comprar no comércio tradicional.

Sexta-feira feira ao fim da tarde... Vais ver a tua conta e eis que tens uma bela surpresa: sobrou um dinheirinho extra para aquele top «a la» Cristina Aguilera ou para os tenis iguaizinhos aos que o Shaq usou na final do playoff da NBA. Estás mesmo à porta do maior shopping da cidade e tens duas opções: ou te enfias naquele emaranhado de gente e vais às mesmas lojas da moda que não têm nada de novo ou eis que te surge uma ideia luminosa: apanhar o metro para a baixa e percorrer aquelas ruas cheias de novidades, lojas que não conheces ou outras que queres ver se ainda lá estão. É isso mesmo, o comércio tradicional é a melhor opção a tomar. Um autêntico centro comercial ao ar livre, com todas as oportunidades. É onde encontras desde as «últimas novidades vindas da Tailândia» (como dizia o saudoso Camacho Costa) até às peças mais underground possível, naquelas lojas que te imaginas a frequentar se vivesses em pleno coração do Nothing Hill londrino.

Não hesites: quem compra no comércio tradicional é que realmente consegue marcar um look diferente das massas dos shoppings, muitas vezes por preços mais baixos e com muito mais irreverência. A baixa de uma cidade é um local quase perfeito para quem quer comprar alguma coisa: encontra-se quase de tudo e ao mesmo tempo passeia-se, vê-se gente e podes sempre parar para relaxar um pouco naqueles cafés fashion onde os poetas há um século ou dois marcavam o passo na Literatura nacional. Já te imaginaste sentadinho no mesmo sofá onde o Pessoa descobriu um dos seus heterónimos? Se te conseguires abstrair o suficiente ainda sais de lá tu mesmo a trautear um verso ou a compor uma partitura. Quem sabe não te falta só o cenário para te tornares um artista? Entrar naquelas lojas é quase como voltar umas décadas atrás: repara nos manequins que usam para pendurar as roupas e como as suas caras seráficas transpiram a 70’s ou 80’s. E depois as alcatifas com aqueles relevos tão característicos e os tons verde azeitona que pensávamos que já ninguém tinha em lado nenhum. Ou então as drogarias, onde uma velhinha de tranças, uma potencial hippye na sua altura, mantém os crachás que se usavam no auge do flower power misturados com roupa em segunda mão, muita dela pretensiosamente associada a um ídolo como Jim Morrison ou Janis Joplin. E se a tua onde for mais plástica, encontras com facilidade na baixa o único lugar onde se vende acessórios transe, provavelmente numa loja toda psicadélica onde também podes fazer um piercing ou uma tatuagem. E mais à frente, na esquina, uns famosos armazéns onde a tua mãe te levava pela mão para comprar os tecidos estampados que com tanta retórica a convenceste a tirar do teu quarto. Tudo rodeado de monumentos, sinos das igrejas a tocar, aquelas célebres figuras da Baixa como os homens estátua e outros que tais... Não hesites nem por um momento - como diz a letra da música: «maybe you are all alone cant do it on your own, I'll show you have an atmosphere downtown»…

Álvaro Curia 2003-06-17

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