David Booth, homem novo, de nome reconhecido na viticultura internacional, é um dos protagonistas deste caso vinícola a merecer divulgação. Tem origem, ou melhor, é factor imediato, de actividades que nada têm a ver com a produção de vinho.
David andou pelo Quénia a treinar unidades anti-caça furtiva, passou por países de risco no seu tempo de capitão de um regimento de elite do exército inglês, e passou por Moçambique servindo causas humanitárias na limpeza de minas. É aqui que vai conhecer Madalena Roquette, sua colega na mesma causa, com quem mais tarde casou e constituiu família, hoje a viver na zona de Estremoz.
Depois da licenciatura em Agricultura e Gestão em Inglaterra e estágio na Califórnia, vem para o Alentejo fundar a Roquette Booth Lda com a sua mulher, oriunda de família com nome prestigiado no mundo do vinho embora fosse área que até aí nada tinha a ver com a sua profissão desenvolvida na arquitectura de interiores.
David Booth como viticultor e António Maçanita como enólogo, fundaram a Fita Preta Vinhos, hoje orgulhosa do Alentejo Trophy, obtido na International Wine Challenge de 2007, com um pormenor curioso. Maçanita completava apenas 25 anos quando lhe chegaram à adega as uvas que transformou no vinho Preta, o tal que mereceu tão distinto prémio. Foi o primeiro em 2004, a que se seguiu a colheita de 2005, vinho que o seu enólogo considera detentor de grande potencial para evoluir na garrafa.
Preta e Sexy
O Preta é um vinho que atrai pelo monocromatismo negro da sua imagem elegante e que se revela uma boa companhia para carnes vermelhas e pratos de caça, sendo adverso a picantes. O seu forte teor alcoólico, 14,5% exige uma temperatura de serviço que não ultrapasse os 20º.
Comprova na prática aquele que é o grande objectivo deste tão jovem enólogo “potenciar o valor da região em uvas maduras com taninos muito redondos”. Não são donos das vinhas que produzem as suas uvas, que tratam com carinho para este resultado final. A vindima é manual e as castas eleitas Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon.
A contrastar com o Preta, incluem na sua produção o Sexy, nome atrevido, uma escolha inteligente com graça para um mercado global. O Sexy, tinto, que se encontra na versão pouco «sexy», meia garrafa, ou muito «sexy» nos 75 cl. Também de alto teor alcoólico, é agora o companheiro eleito para pratos de carne tanto branca como vermelha, mantendo também a característica de adversidade ao picante do Preta.
Mafalda César Machado 2007-09-26