Na Baixa lisboeta - outros tempos centro boémio da capital - um antigo armazém de tecidos hospeda agora um restaurante de vinhos. O prédio, situado entre a Rua da Prata e a Rua dos Fanqueiros, dá ares a obra pombalina, como aliás se nota no interior com as arcadas, paredes de pedra à vista e chão de laje a denunciarem o peso dos séculos. A história do imóvel, contada depois pela proprietária, não desmente esta primeira impressão, antes a confirma.
Elogio ao vinho
À primeira vista, nem parece que o vinho é para aqui chamado, já que as garrafas não servem para decorar paredes. Estão, pelo contrário, bem guardadas em refrigeradores que marcam as temperaturas correctas para não desvirtuar as suas qualidades.
Mas, apesar de tudo, neste espaço respira-se vinho. A própria inauguração, aconteceu em data assinalada de Novembro passado. Não foi no dia de São Martinho, como seria de esperar, mas cinco dias depois pelas 19 horas, altura do lançamento mundial do Beaujolais Nouveau, com os diversos fusos horários a respeitarem as 20 horas francesas.
É por estes e outros pormenores que nesta casa é frequente falar-se de vinho assim que aqui se chega. A selecção dos néctares, feita pelos proprietários auxiliados por uma enóloga, tanto foge aos rótulos ditos mais comerciais, como aos preços proibitivos.
A apresentação dos vinhos surge pelo nome, castas e região, o que pode ajudar na escolha. O enólogo ou produtor também consta e quem se interessa por este tema sabe a importância desta informação.
Porém, a democratização desta carta nota-se quando se confirma que todas as marcas podem ser bebidos a copo. São cinquenta opções de Portugal entre brancos, tintos, verdes e rosés.
Do estrangeiro, o mesmo é dizer Espanha, França, Itália e novo mundo (Chile, Austrália e Brasil) são sete as representações. Para se ficar com uma noção mais clara, um copo de vinho começa no 1,80 € e não há mais caro que 11,20€. Assim dá gosto.
Do Buffet à La Carte
Da cozinha tanto saem pratos como petiscos, sendo que todos os dias ao almoço há uma sugestão diferente de peixe, outra de carne e ainda uma outra vegetariana. Às quintas-feiras, aos almoços, há serviço de buffet de uma região específica de Portugal. Esta semana está em destaque o Dão e a Bairrada.
Por 8 euros, prova-se as vezes que o estômago pedir, a sopa do dia, um prato de carne, outro de peixe, e ainda outro vegetariano. Algumas saladas ou entradas compõem a mesa mas as sobremesas e os vinhos são à parte.
Vindo com tempo, ou então aos jantares, a cozinha tradicional tem honras de destaque com o Porco preto no tacho de barro e as Migas lagareiras de bacalhau a encherem medidas… No capítulo dos bifes, por exemplo, sobressai o dito à Marrare, receita tão típica lisboeta, e uma opção a ter em conta.
Das 18 às 20 horas, altura em que alguns chamam de “morta”, outros de alegre (happy hour), dá-se o caso de se poder provar um copo de vinho de qualidade superior a um preço de amigo.
Paula Oliveira Silva 2007-05-23