Com a intenção clara de sensibilizar o público para a arte contemporânea e para o meio ambiente, a Fundação de Serralves é o resultado de uma parceria entre o governo, algumas instituições públicas e privadas. Desde 1989, o seu papel na educação e animação ambientais e culturais são vitais para o enriquecimento das gentes do Porto. Contudo, mais do que uma aula sobre cultura ou Natureza, Serralves é um autêntico parque temático sobre estes assuntos, onde o visitante se abstrai por momentos da correria e do stress da cidade grande e mergulha na calma da contemplação, interrompida apenas pelo canto de um ou outro passarinho.
Hoje em dia, a Fundação de Serralves divide-se pelo Museu de Arte Contemporânea, da autoria do conhecido arquitecto português Álvaro Siza Vieira, o Parque de Serralves, onde a Natureza impera num cenário de sonho, a Casa de Serralves, antiga residência de uma das famílias mais tradicionais do Porto e o Auditório. Entre outras actividades destacam-se as várias conferências periódicas dedicadas ao Paisagismo, à Conservação, ao Turismo Cultural, entre outras, além de vários cursos dedicados aos mais jovens ou não e, claro está, as visitas ao Museu de Arte Contemporânea, obra por si só única. De facto, o Museu, é um grande espaço com mais de12.700 metros quadrados, dedicado a obras de arte do pós anos 60. Curioso na sua arquitectura de linhas brancas e definidas é o facto do museu ter sido concebido de forma a que tudo fosse observado de dentro, ou seja, a partir das várias salas de exposição. E por lá já passaram Andy Warhol, Nan Goldin e, mais recentemente, Lourdes Castro. O Museu compreende também uma biblioteca, um auditório e uma cafeteria, tudo construído sem prejudicar a Natureza, uma vez que no local do museu não existia nenhuma árvore.
Álvaro Cúria 2003-03-03