Por esta altura andam os cristão de todo o mundo a comemorar o nascimento de Cristo. É uma festa, mas não é assim para todos. A tradicional ceia à base de bacalhau seguida da abertura dos presentes à meia-noite, junto ao presépio e/ou árvore de árvore de Natal, são rituais exclusivos de certos credos. Basta abrir um bocadinho os olhos, andar por aí e descobrir como vivem esta época aqueles que não pertencem à religião dominante em Portugal – o catolicismo. Há mais, com certeza, mas os que se seguem são alguns dos mais relevantes.
Hinduísmo
Porque nestas coisas não existem primeiros nem últimos, e porque se tem que começar por algum lado, abre a reportagem o hinduísmo. Apesar de poder pensar o contrário, os hindus também festejam o Natal, para grande alegria dos mais pequenos. Aliás, antes de mais, o Natal é para esta comunidade uma festa internacional das crianças. Existe o Pai Natal (que é como quem diz...), monta-se o pinheiro, entoam-se cânticos e trocam-se prendas. Só não têm as refeições à base de bacalhau e peru assado porque são vegetarianos. E porque o Deus é um só, os nomes é que mudam, também montam o Presépio (quem quiser), afinal há que respeitar todas as religiões. Com sorte ficam as crianças que, à conta da dupla cultura em que são educados, podem usufruir de duas grandes festas. A outra festividade é o “Divali” que significa festa das luzes. Reúne-se a família, distribuem-se prendas (desta vez sem pai de Natal e pinheiro), enfeita-se a casa com luzes e fazem-se desenhos no chão à porta de casa com pós de várias cores. Muito artístico, sim senhora. E no dia seguinte é o ano novo. Apesar de se regerem pelo calendário lunar esta festa calha quase sempre nos finais de Outubro, princípios de Novembro. Contas feitas, ficam com um mês a mais de 3 em 3 anos, um pouco à semelhança do ano bissexto. E de acordo com a esta contagem lunar, os hindús já vão no ano 2058.
Islamismo
O Islão não festeja nem o Natal nem sequer o Ano Novo. Portanto, nada de tradições natalícias. Como festas mais importantes têm duas. Uma, é no final do mês do Ramadão (que este ano celebrou-se a 16 de Dezembro) e a outra é no final da peregrinação a Meca (que qualquer muçulmano deve fazer pelo menos uma vez na vida). No Ramadão jejuam do nascer ao pôr do sol, alterando por isso o ciclo normal da vida. A abstinência é total, incluindo na vida conjugal. Como adoram Alá, e Alá quer dizer Deus, (não tendo portanto, existência física), também não festejam o seu nascimento. Mas não se pense que são uma religião pouco festiva. Outras datas religiosas são celebradas com grande fervor e dedicação, (mas sem serem regadas a bebidas alcoólicas, religiosamente proibidas). Um exemplo de comemoração é o aniversário do nascimento do Profeta Maomé no 3º mês do calendário islâmico, dia 12 de “Rabi-ul-awwal” que este ano coincidiu com o dia 14 de Junho.
O calendário islâmico tem início no 2º ano da ida do Profeta Maomé para Medina. Assim sendo estão no ano 1422.
Paula Oliveira Silva 2001-12-19