É Natal? Mais ou menos

Para a maior parte é. Para os católicos. Mas nem todos somos católicos. E nestas coisas de religiões, nem o 31 de Dezembro escapa. As semanas que se seguem não são de festejos para todos. Quem quiser pode descobrir os outros. Bem ao espírito do Natal.

Por esta altura andam os cristão de todo o mundo a comemorar o nascimento de Cristo. É uma festa, mas não é assim para todos. A tradicional ceia à base de bacalhau seguida da abertura dos presentes à meia-noite, junto ao presépio e/ou árvore de árvore de Natal, são rituais exclusivos de certos credos. Basta abrir um bocadinho os olhos, andar por aí e descobrir como vivem esta época aqueles que não pertencem à religião dominante em Portugal – o catolicismo. Há mais, com certeza, mas os que se seguem são alguns dos mais relevantes.

Hinduísmo

Porque nestas coisas não existem primeiros nem últimos, e porque se tem que começar por algum lado, abre a reportagem o hinduísmo. Apesar de poder pensar o contrário, os hindus também festejam o Natal, para grande alegria dos mais pequenos. Aliás, antes de mais, o Natal é para esta comunidade uma festa internacional das crianças. Existe o Pai Natal (que é como quem diz...), monta-se o pinheiro, entoam-se cânticos e trocam-se prendas. Só não têm as refeições à base de bacalhau e peru assado porque são vegetarianos. E porque o Deus é um só, os nomes é que mudam, também montam o Presépio (quem quiser), afinal há que respeitar todas as religiões. Com sorte ficam as crianças que, à conta da dupla cultura em que são educados, podem usufruir de duas grandes festas. A outra festividade é o “Divali” que significa festa das luzes. Reúne-se a família, distribuem-se prendas (desta vez sem pai de Natal e pinheiro), enfeita-se a casa com luzes e fazem-se desenhos no chão à porta de casa com pós de várias cores. Muito artístico, sim senhora. E no dia seguinte é o ano novo. Apesar de se regerem pelo calendário lunar esta festa calha quase sempre nos finais de Outubro, princípios de Novembro. Contas feitas, ficam com um mês a mais de 3 em 3 anos, um pouco à semelhança do ano bissexto. E de acordo com a esta contagem lunar, os hindús já vão no ano 2058.

Islamismo

O Islão não festeja nem o Natal nem sequer o Ano Novo. Portanto, nada de tradições natalícias. Como festas mais importantes têm duas. Uma, é no final do mês do Ramadão (que este ano celebrou-se a 16 de Dezembro) e a outra é no final da peregrinação a Meca (que qualquer muçulmano deve fazer pelo menos uma vez na vida). No Ramadão jejuam do nascer ao pôr do sol, alterando por isso o ciclo normal da vida. A abstinência é total, incluindo na vida conjugal. Como adoram Alá, e Alá quer dizer Deus, (não tendo portanto, existência física), também não festejam o seu nascimento. Mas não se pense que são uma religião pouco festiva. Outras datas religiosas são celebradas com grande fervor e dedicação, (mas sem serem regadas a bebidas alcoólicas, religiosamente proibidas). Um exemplo de comemoração é o aniversário do nascimento do Profeta Maomé no 3º mês do calendário islâmico, dia 12 de “Rabi-ul-awwal” que este ano coincidiu com o dia 14 de Junho.

O calendário islâmico tem início no 2º ano da ida do Profeta Maomé para Medina. Assim sendo estão no ano 1422.

Paula Oliveira Silva 2001-12-19

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