O primeiro impulso de quem visita a quinta é procurar o campo das alfarrobeiras que supostamente existe. Sem sofrermos qualquer tipo de desilusão, a realidade é bem diferente. Uma e apenas uma espécie destas existe em toda a herdade, mas para já só se vêem as folhas mais altas, pois a árvore está encoberta pelo edifício principal. Logo em primeiro plano, surge a casa construída em 1730 com aspecto de fortificação. Se foi erguida com essa intuição não se sabe, o que é do conhecimento geral é que já foi reconquistada, num episódio pertencente ao passado da quinta. Só que desta vez não foram sarracenos ou castelhanos que a tomaram. Para o final da história não ser sempre igual, o triunfador veio de mais longe, da Holanda, e a conquista também não foi à força. Adveio de um namoro de algum tempo, resultado do encanto de uma certa Rapunzel que estendeu as suas tranças para que por elas, o seu amado pudesse subir.
A alfarrobeira
Nesta história, a menina de longos cabelos é uma alfarrobeira que se crê ser bastante especial. Já centenária, as tranças por onde subiu o conquistador, foram nada mais nada menos que os seus ramos, grossos e fortes, onde grandes e pequenos já se penduraram. Mas o facto que a torna única é a fama que se gerou à sua volta. Crê-se que esta árvore é detentora de poderes naturais especiais, a ponto de, antigamente os trabalhadores da quinta se reunirem à sua volta e fazerem uma espécie de cerimónia na qual agradeciam a ela o sucesso das colheitas. A verdade é que é imponente.
Paula Oliveira Silva 2002-12-30