Na peugada do dinossauro

Steven Spielberg realizou o Parque Jurássico, um sucesso mundial, made in America, claro. Mas sabia que é em Portugal que se encontra o maior rasto de peugadas de dinossauros do mundo?

O monumento

Este é um passeio para toda a família, novos e graúdos, embora já se saiba que são as crianças que mais ordenam, quando se trata de descobrir aquilo que para elas não era mais do que ficção.

Uma vez chegados ao Monumento Natural, a visita começa no centro de interpretação. Vê-se um vídeo que em 20 minutos explica a teoria do mundo e o aparecimento dos dinossauros. Depois, compram-se uns livros ou outro qualquer souvenir. Já brifados e cheios de vontade de descobrir o que isto é, parte-se para a pedreira que se esconde na parte detrás do monte.

Do alto da falésia norte, olhando para a placa inclinada onde se encontram as famosas peugadas, nada se vê senão rocha calcária endurecida. Nem mesmo as pistas delimitadas por cavilhas de alumínio e cabos de aço, o olhar mais atento encontra.
Para percebermos melhor o que se passa lá em baixo é necessário descer e andar no terreno.

Começamos a calcorrear as pistas e descobrimos trilhos por toda a parte, por uma placa dura e inclinada que desce até ao encontro das paredes escavadas, onde outrora labutara a pedreira. E o mais curioso é que durante anos a fio, camiões e retro-escavadoras andaram por aqui, curiosamente, sem estragar.

Passo irregular

Todas as pistas encontradas são diferentes, o que prova que por aqui andaram várias dezenas de animais. As melhores pistas chegam a atingir cerca de 100 metros de comprimento e apresentam uma qualidade invulgar pela forma como estão conservadas. Curiosamente, as peugadas são irregulares e verá que as do lado esquerdo estão muito próximas assim como as do lado direito. É que, ao contrário de um cão que cruza as patas ao andar, os saurópedes, por terem um pescoço e caudas muito extensas, conseguiam este estranho equilíbrio. Mas desengane-se se pensa que estes animais eram estáticos. Quando em perigo, podiam mesmo correr e mover com alguma agilidade os seus corpos colossais. Ainda que esta situação poucas vezes se verificasse, pois sendo os maiores seres vivos do planeta, só as suas crias eram sujeitas à fúria dos dinossauros carnívoros, como o brontossauro.

Também é de notar que à volta de cada peugada existe um pequeno rebordo, pois toda aquela zona já esteve submersa pelo mar, a provar pela inúmera quantidade de fósseis marítimos que por ali se encontram.

Os arqueólogos estimam que no período jurássico, a pedreira seria provavelmente uma zona pantanosa, daí que cada vez que algum daqueles “delicados” seres pousava as suas patas, imprimia algumas toneladas de peso, suficientes para que a lama jorrasse para as extremidades. Assim se explica o estranho rebordo.
Por outro lado, se olhar com atenção, verificará que existe uma reentrância interior, que correspondia à única unha que estes animais possuíam. Alguns cientistas adiantam que seria talvez a sua única arma de defesa, porém essa teoria ainda não está provada.

N'Dalo Rocha 2002-12-10

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