As máquinas e os momentos mais marcantes da aeronáutica nacional são revelados neste museu onde repousam aviões e outros objetos que fizeram história nos céus de todo o mundo. Das primeiras tentativas de voar aos nossos dias, passando pelos pioneiros lusos e primórdios da TAP, o espaço leva-nos às nuvens num abrir e fechar de olhos. Senhores leitores, dentro de momentos iremos aterrar no Museu do Ar.
Foi em 1909, ano do primeiro voo em Portugal, que nasceu o sonho de construir um museu dedicado à aviação portuguesa. A ideia foi lançada por um grupo de pioneiros liderado por Gago Coutinho mas só em 1969 foi oficialmente inaugurado o Museu do Ar, em Alverca do Ribatejo. Por lá se manteve durante quatro décadas, até ser transferido em 2009 para a Base Aérea nº 1, em Pêro Pinheiro, Sintra.
Uma parte do espólio continuou em Alverca e outra está exposta no Polo de Ovar (ambas visitáveis apenas sob marcação) mas é no novo espaço que estão reunidas as peças mais icónicas e valiosas. Para isso foram recuperados vários hangares da base e construídas outras áreas de raiz, num total aproximado de 7500 metros quadrados (contabilizando apenas as áreas interiores) que fazem do Museu do Ar um dos maiores do país.
Junto à entrada, a frase “O Dever da Memória” dá o mote para o espaço e homenageia os homens e as máquinas que ajudaram a concretizar um dos maiores desejos do Homem: voar. Comprado o bilhete (3,5€ adultos; 1,5€ seniores; 1€ estudantes e crianças) chegou a altura de embarcar numa viagem ao passado.
Do sapateiro voador ao cinéfilo aviador
A exposição está organizada de forma cronológica por isso começamos por recuar até 1540, ano em que o sapateiro João Tordo inventou um engenho “aéreo” e lançou-se da Torre de Viseu com o objetivo (falhado) de chegar ao céu. Melhor sucedido foi o balão de ar quente (a Passarola de Lisboa) construído pelo padre Bartolomeu de Gusmão em 1709, dois séculos antes do primeiro voo em Portugal com um avião tripulado (pelo francês Armand Zipfel). Um pequeno salto que terminou descontrolado… no telhado de uma casa.
Depois das referências a estes momentos históricos, salta à vista um grande avião militar dos anos 30 - o Junker Ju 52 -, peça rara em todo o mundo e uma das mais valiosas do acervo, juntamente com o “senhor” que se segue, um biplano De Havilland construído em tela e madeira que, na mesma década, fazia a ponte entre Lisboa e Porto. Isto ao serviço da companhia CTA, porque a TAP (Transportes Aéreos Portugueses) só surgiria em 1945. Dessa época também está em exposição um modelo do primeiro avião (DC- 3 Dakota) da companhia, utilizado para fazer a chamada Linha Imperial entre Lisboa e Lourenço Marques (atual Maputo, Moçambique).
Ainda pelo primeiro hangar também merecem destaque os lendários Spith Fire e F–86, representativos do salto tecnológico despoletado pelos aviões a jato, e outras duas peças que remetem para o imaginário do cinema: um De Havilland semelhante ao celebrizado no filme África Minha e o nariz de um Super Constellation que evoca a história de Howard Hughes, piloto, industrial e produtor de cinema imortalizado no filme O Aviador.
Nelson Jerónimo Rodrigues 2013-05-30