Museu da Presidência da República

Noventa e quatro anos de república em Portugal.

Está instalado no sítio que lhe compete, o Palácio de Belém, em Lisboa e a inauguração não podia ter acontecido numa data mais acertada: o dia 5 de Outubro. Porém, o Museu da Presidência da República só se vai encontrar de portas abertas para quem deseje saber um pouco mais sobre os 17 homens políticos que chefiaram o Estado português desde 1910, a partir do próximo sábado.

Um curto filme dá conta das imagens originais do dia da Implantação da República e através de uma visita virtual a três dimensões, fica-se a conhecer todos os cantos do Palácio de Belém. Os principais acontecimentos de cada ano são mostrados com um simples toque num ecrã de computador e a biografia política de cada um dos Presidentes é narrada num filme de um minuto e meio.

Objectos tão pessoais e simbólicos como um relógio de ouro que pertenceu a Mendes Cabeçadas revelam histórias e acontecimentos políticos do país. A pistola que acompanhava Sidónio Pais, o presidente-rei assim chamado por Fernando Pessoa num poema a si destinado, o famoso monóculo de Spínola, uma pequena agenda das muitas em que o último Presidente da República do período da ditadura, Américo Tomás, descrevia religiosamente os seus dias... Durante 67 anos, à razão de uma por trimestre.

É impressionante a quantidade de informação contida nestes diários. É claro que o 25 de Abril sobressai nos escritos e até nessa data, já com a revolução em curso, não falhou à forma habitual de falar do tempo. “O tempo voltou a turvar-se (...) para o fim da tarde abriu.” E ao final desse mesmo dia já a caminho da Madeira e posteriormente para o exílio para terras de Vera Cruz ainda se pronunciou: “À saída de Lisboa, o tempo estava muito melhor, mas havia nuvens.”

O actual Presidente da República, Jorge Sampaio, legou ao museu um busto seu enquanto criança feito pelo tio e escultor, António Duarte. Nem falta a Galeria dos Retratos Oficiais pintados por artistas de renome como Columbano. Claro que num museu como este são indispensáveis os ícones nacionais como a bandeira de Portugal bordada a oiro e uma partitura com letra e música do hino nacional escrita à mão por Keil do Amaral, o autor.

No final da visita, que custa 2,5 euros, pode fingir-se presidente por um dia. A fotografia ali tirada comprova esse curto mandato.

Paula Oliveira Silva 2004-10-05

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