Museu da Marinha

Eis um clássico que apetece sempre visitar ou redescobrir.

As teorias da escola de Sagres

Os painéis de São Vicente são complicados. Hoje, cada vez mais com a certeza quase absoluta de que o famoso homem do bigode com o chapéu não é o Infante Dom Henrique, coloca-se ainda outra questão. A escola náutica de Sagres! Existiu ou não, eis a questão.

Na realidade, não. Ainda hoje na Ponta de Sagres e na praia da Baleeira não existem vestígios arqueológicos ou físicos de tal edifício. O que sim existiu foi um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos que permitiram aos primeiros navegadores partir mais além da costa portuguesa para explorarem o norte de África, tirado partido dos ventos e correntes que os empurram para sul.

Esclarecido o imbróglio histórico, entramos na ala sul do Mosteiro dos Jerónimos e começamos a nossa visita ao Museu de Marinha. Na primeira ala, precisamente a ala 6, a dos Descobrimentos, quando o poder naval de Portugal lhe permitiu edificar um império colonial.

Para além das estátuas de D. João II e D. Manuel, os reis que mais impulsionaram o desenvolvimento naval, surgem uma série de objectos e réplicas dos barcos da época. A esfera armilar é uma delas, um instrumento científico da época que representava a concepção astronómica do mundo de então.

Miniaturas de fazer inveja

Seguem-se as réplicas das barcas, caravelas latinas e caravelões, estas últimas maiores e com uma capacidade de carga superior. Pena é que estes modelos não sejam feitos à escala real, mas sim a uma escala bastante mais reduzida, para caber na caixa de vidro que as protege do toque dos visitantes mais curiosos.

Mas há mais réplicas interessantes como a ala de tráfego fluvial onde estão representados os varinos do rio Tejo, hoje já quase desaparecidos, assim como os botes cacilheiros ou os rabelos do Douro. Tudo embarcações de pequeno porte, mas que desempenhavam um papel fulcral nas economias regionais, quer no transporte de pessoas e principalmente de mercadorias.

Na sala dos séculos XIX e XX, descobre-se umas pitorescas corvetas de guerra, quase inofensivas, hoje que os mares são dominados por gigantescos porta-aviões, mas temíveis no seu tempo. A Afonso de Albuquerque e a Mindelo, ou o Adamastor, uma canhoneira envolvida em actos heróicos em Moçambique contra tropas alemãs, corria ainda a I Guerra Mundial.

 

 

N´ Dalo Rocha 2004-11-02

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