Música e livros africanos

O calor das palavras, dos sons e dos sabores

Conta quem foi, que viajar até África é uma paixão que fica para o resto da vida. No continente onde o Sol é mais brilhante e a terra mais vermelha, é fácil apanhar o ritmo dos batuques ou aprender a cozinhar uma cachupa. A semana africana aproxima-se, por isso pode descalçar-se e alimentar esta paixão rica em cores, sabores e alegria genuína.

Viajar nas palavras

Quando, em 1415, se inicia a expansão portuguesa no continente africano depois da conquista de Ceuta aos Mouros, inicia-se também uma relação rica e perpétua entre Portugal e África. O intercâmbio de culturas ao longo de mais de cinco séculos trouxe para “o jardim à beira mar plantado” cores e sabores que hoje se confundem com a própria essência de ser português.

A maior prova desta eterna união está na língua portuguesa. Dialectos aparte, é bom ler e ouvir Camões com um sotaque mais quente e doce. Mesmo que a carteira não permita, conhecer África pode começar em gestos tão simples como ler um livro sobre algum dos cinco países de expressão portuguesa ou deixar-se levar pelos romances de novelistas consagrados como o moçambicano Mia Couto ou o angolano Pepetela.

Aventure-se em cenários selvagens e descubra o verdadeiro esplendor da savana africana. As palavras têm esse poder mágico.

Ao ritmo do mundo

Contudo, a expressão máxima da cultura africana reside na música. Os sons africanos nascem com as primeiras tribos e assumem-se como transmissores da cultura entre gerações. Com a chegada do colonialismo europeu nos séculos XIV e XV, a música africana ganha novas leituras e conquista sobretudo novas expressões na América Latina e Caribe.

Os ritmos da rumba e da salsa nasceram dos escravos africanos e dos seus batuques, o primeiro instrumento a ser utilizado pelas tribos. Hoje, os sons nascem de instrumentos como a gaita, o bandolim ou o cavaquinho que dão vida a temas inesquecíveis como “Uma lágrima no canto do olho” do angolano Bonga ou “Sodade” da lendária Cesária Évora.

De Cabo Verde, é também obrigatório ouvir os veteranos Tito Paris e Dany Silva ou descobrir os ritmos das novas divas da música crioula com Lura ou Mayra Andrade. Esta última estará em digressão em Portugal durante o mês de Junho, por isso, aproveite.

Caso queira explorar todas as nuances da música africana, dê um pulinho até à Internet e consulte o site Kizomba ou o Afromix e aproveite para enriquecer a discografia lá de casa.

Raquel Pereira

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