Monte do Perdiganito - Évora

Sossego alentejano...

A moldura
Quase a chegar ao destino, é uma pequena povoação caiada e coberta de telha mourisca, como tantas no Alentejo, que desperta da monotonia da paisagem. Nossa Senhora de Machede é o nome do sítio. Domina o alvo casario uma igreja. Chega-se a ela passando pela ponte sobre a ribeira que desemboca na rua principal, a mais larga, espécie de espinha dorsal da aldeia, ao longo da qual se espraiam idosos às portas das respectivas casas. Cenário mais típico não encontraria mesmo que quisesse. 

De regresso ao caminho, a ponte de ferro sobre o rio Degebe é agora o novo motivo de interesse. Segue-se a antiga estação ferroviária. Mantém-se de pé o edifício mas a murchar cada ano que passa como a uma seara a quem faltaram com água. E ela a correr ali tão perto...


Já se vê o Monte do Perdiganito. Ervas adultas ocultam os carris em certas partes mas a placa indicativa não deixa margem para dúvidas. 

O quadro

Taipa, adobe, xisto e madeira são o corpo que tem séculos. Quis esta antiga casa de lavoura manter-se humilde, tal como nasceu. E por isso luxo é coisa que não encontra. Das poucas inovações ao viver de outros tempos contam-se o aquecimento e as casas de banho nos quartos. Pequenas porque acrescentadas de modo a cumprir as necessárias condições de habitabilidade. 

As duas suites têm uma espécie de antecâmara onde se pode ver televisão. O aparelho está escondido no interior de um móvel, provável antigo nicho que disfarça desta forma o moderno. João Videira, proprietário e arquitecto da reconstrução, foi buscar a inspiração para o recheio nas velharias e feiras da região numa altura em que o monte servia apenas de habitação própria e não estava aberto a hóspedes. Mais do que uma função decorativa é uma forma de estar no dizer dos proprietários. 

Objectos comuns dão vida às grossas paredes que pouco espaço deixam para as janelas, quando existem, e para as portas, invariavelmente baixas. Os mais altos sabem do que falo. Com tamanha espessura, o calor não tem forma de entrar de Verão nem como sair na estação mais fria. Mas por via das dúvidas, há lareira na sala comum (preparada também para receber o pequeno-almoço) e nas chamadas suites.    

O tempo não convida a isso e a ideia de pôr os pés dentro de água até pode causar arrepios. Mas saiba que a piscina está lá, fronteiriça à casa e à espera dos dias de calor.

Paula Oliveira Silva

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