Deixa-se o carro nalgum sítio e vai-se a pé pois, apesar de estar localizada num cabeço elevado, a vila até é relativamente plana e não custa nada caminhar. Como primeiro objectivo, ruma-se até ao centro, mais propriamente à bonita Praça República. A sua calçada central com bancos e a inevitável fonte ao centro acaba por funcionar como uma espécie de ponto de encontro para as gentes da vila que por ali se cruzam, quer seja para conversar, aproveitar a sombra das laranjeiras ou, porque não, aliviar o peso das árvores se altura do ano for a mais propícia.
A sul da praça encontra-se o velho prédio setecentista onde, para além da câmara municipal, está também o posto de turismo. É por lá que se começa. A seguir, prossegue-se na descoberta agora avançando para poente. Volta-se a atravessar a praça e passa-se pela igreja barroca da Ordem Terceira que merece sempre uma visita.
Para nascente ficam as casas apalaçadas da nobreza dos séculos XVII/XVIII e para sul caminha-se em direcção à Torre do Relógio. Não deixa de ser curioso constatar que a maioria das casas são caiadas de branco com barras amarelas. Nesta região prevaleceu o amarelo que antigamente resultava do óxido do cobre do qual se extraia esta cor ocre.
Continuando a caminhada, dá-se de caras com a seiscentista Igreja da Madalena, reconvertida em museu e, em vez de se apreciar arte sacra, apreciam-se os achados romanos, como os painéis de mosaicos encontrados nas ruínas de Palma.
Sai-se à procura da melhor panorâmica de Monforte. Bom, o melhor é subir pela Rua do Castelo até ao local onde o dito castelo terá existido. Hoje apenas ficou o miradouro que nos dá inúmeras perspectivas sobre a vila e o que restou das muralhas, pequenos muros com ameias que parecem abraçar os telhados. E ao longe a planície, claro.
Ponte e pedras
A norte da vila, na estrada antiga que segue para Vaiamonte, encontra-se a única pedreira de granito rosa da vila. Se a curiosidade motivar, então entra-se com o carro, contornam-se as pedras que se amontoam e dá-se uma breve espreitadela no poço, que devido às infiltrações se encontra parcialmente inundado. Satisfeita a curiosidade, volta-se a atravessar para o outro lado da estrada para se apreciar de perto o que as vistas de Monforte já nos tinham revelado antes: a velha ponte romana.
Passados quase 2000 anos após a sua construção mantém-se sólida, impávida e serena, olhando quem passa, apesar de agora a estrada principal passar pela ponte ao lado. Ao todo, são três arcos que suportam todo o peso para que se vença a ribeira. E para aproveitar tal paisagem idílica, nem faltou a praia fluvial de relva, onde se está sempre tão bem.
N'Dalo Rocha