Começamos já por esclarecer uma coisa: apesar de estarmos a falar de uma actividade muito semelhante à fotografia, não vamos usar esse termo para identificá-la, por uma questão de respeito para com a especificidade que a caracteriza. A lomografia (e a consequente lomomania) já chegou a Portugal – e veio para ficar.
Bem, por esta altura manda o bom senso que façamos um aviso muito sério, para o qual solicitamos toda a sua atenção. A informação que se segue é susceptível de causar dependência a leitores curiosos, com gosto pelas artes e pela imagem, com sentido de humor e de estética, com imaginação fértil e muita criatividade. Se se identifica com alguma destas características (ou com qualquer outra que se lhes aproxime) e tenciona continuar a ler este texto, bem pode começar já a considerar-se um lomógrafo. Não há volta a dar-lhe. Daqui em diante passará a andar para todo o lado carregado de câmaras insólitas, filtros de cores berrantes, flashes de formas inusitadas e muitos, muitos rolos de filme.
A lomografia teve origem na antiga União Soviética, por volta de 1982, quando um general russo ordenou que se fabricassem câmaras pequenas, robustas e fáceis de usar, para que todos os soviéticos pudessem registar momentos do seu quotidiano e fazer propaganda ao regime então instalado no poder.
Bem, a lomomania propriamente dita começa em Praga em 1991, ano em que dois jovens vienenses, de férias na capital da República Checa, descobrem a câmara Lomo Compact Automat, ou LC-A (para os amigos). Deslumbrados com a qualidade das imagens - focadas e desfocadas - que obtiveram, deram origem ao movimento de recuperação do fabrico destas pequenas caixinhas de surpresas. E o movimento estendeu-se ao mundo inteiro.
Hoje em dia, a Lomographic Society encarrega-se de distribuir pelos quatro cantos do planeta estas e muitas outras câmaras, adicionadas à família. Está criada uma comunidade. Objectivo: documentar a vida do dia-a-dia. Por essa razão, a partir do momento em que aderir à coisa e publicar as suas lomos no directório mundial disponível on-line, esqueça os direitos de autor: as lomografias são de todos, e servem o propósito de partilhar experiências e escrever História por imagens.
Imagens muito particulares, é bom que se diga. As cores esfuziantes, os efeitos fantásticos das lomografias capturadas à noite, a personalidade quase cinematográfica das câmaras sampler, que dividem uma lomo em vários frames, e a garantia de que todos os resultados são bons resultados, são ingredientes mais do que suficientes para seduzir qualquer um. Lisboa já tem uma Embaixada Lomográfica (www.lomolisbon.com), tal como o Porto (www.lomoporto.com). Ambas vendem equipamento e organizam concursos e eventos constantemente.
Os preços da maior parte das câmaras são muito acessíveis, o que ainda ajuda mais à festa,. Vale a pena perder bastante tempo no site da Lomographic Society (www.lomography.com) para se inteirar o mais possível deste admirável mundo novo. Deixamos aqui as 10 Regras de Ouro da Lomografia:
1 – Leva a tua Lomo para onde quer que vás.
2 – Usa-a a qualquer hora do dia ou da noite.
3 – A lomografia não é uma interferência na tua vida, é parte dela.
4 – Lomografa sem olhar pelo visor.
5 – Aproxima-te o mais possível dos objectos do teu desejo lomográfico.
6 – Não penses.
7 – Sê rápido.
8 – Não precisas de saber antecipadamente o que lomografaste.
9 – Nem posteriormente.
10 – Não te preocupes com nenhuma regra.
Ana Marta Ramos 2004-09-07