Lagos revisited

Um passeio sem regras, ao sabor da vontade

A lua cheia e o pôr do Sol

A lua cheia mais bonita que eu já vi (e que não vou descrever porque noites de lua cheia não se descrevem, vivem-se), foi no cimo da falésia da praia do Pinhão. Um pouco acima das muralhas de Lagos, não é mais que um pequeno areal, escondido entre as rochas, onde se chega depois de descer uma escadaria íngreme e comprida.

Há momentos que, por uma razão ou outra, não se esquecem e essa noite, e essa lua, ficaram-me. Também por causa de um certo cheiro a começo de Verão, a mar e a vegetação, uma mistura que, não sei bem porquê, me dá sempre a sensação de promessa, de que coisas boas vão acontecer.

Nessa noite, a visita ao miradouro tinha sido precedida de um jantar n’ “A Casa do Pintor” que é meu restaurante preferido. Não de Lagos, mas do país. Está bem, há dezenas de outros que numa avaliação rigorosa, por itens, ficariam mais bem classificados. Este é italiano, pequenino e aconchegante. E assim de coração, é o meu favorito. Pronto. Cada terra tem os seus cheiros e o turista que vai de passagem, muitas vezes não tem sequer tempo de se aperceber deles. Como vou muitas vezes a Lagos, sempre em passeio e com espírito de descanso, conheço de cor os cheiros e as cores da cidade, nas diferentes alturas do ano. No Inverno, por exemplo, as ruas semi-vazias, com turistas ocasionais a beber os seus eternos galões nas esplanadas, parecem mais brancas e têm uma certa solidão que sabe bem, embora não deixe de ser um pouco triste, mas apenas porque me faz sempre sentir saudades do Verão.

No início da Primavera, o que mais gosto é dos passeios matinais de bicicleta até perto do marco geodésico, no alto de uma falésia sobranceira à praia da Luz. É melhor maneira de apreciar esta praia, de longe e bem alto, porque lá em baixo a concorrência é normalmente demasiada. No meu top pessoal está também o passeio a pé, a corta-mato, até Porto de Mós, uma das praias mais bonitas deste pedaço de costa, ladeada por altas falésias. O caminho faz-se por entre campos floridos e quando estamos quase a chegar, começamos a ver um triângulo de um azul incrível que aumenta à medida que nos aproximamos, assim como cresce o desejo de mergulharmos rapidamente naquelas águas apetecíveis. Depois, ficar para apreciar o pôr do Sol na esplanada do "António" é absolutamente necessário. Mas tal como as noites de lua cheia, o pôr do Sol também não se descreve. Por isso, adiante.

Céu Coutinho 2004-06-22

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