Jogos tradicionais

Prazer analógico

Quem é que não gosta de jogar? Pois é, toda a gente ou quase toda. São os jogos de computador, de consolas e até nos modernos telemóveis jogos complexos. A sós, é o homem contra a máquina, apesar de muitos jogos já se jogarem em rede, mas está sempre dependente de qualquer comando de consola ou teclado para mexeres os bonecos no écran. Tudo é electrónico, mas se a luz faltar, como dizem os alemães, Kaput?

Nein, não é bem assim, pois já no tempo dos nossos avós as pessoas também se divertiam.

Assim, desta vez propomos-te um regresso ao passado para experimentares alguns dos jogos tradicionais, aqueles que se jogavam no antigamente. E para te orientares melhor, deixamos-te aqui algumas dicas.

Se o dia estiver bom aproveita-se para os jogos ao ar livre. Em Portugal, a malha ainda continua a ser a rainha da tradição. O difícil é encontrar as malhas novas, até porque há cada vez menos fundições a fabricá-las, mas podes ter sorte. Depois, precisas de algum espaço de modo a não partir cabeças. Força no arremeço e lá vai bomba.

Para momentos mais relaxantes, a petanca, mais suave e menos violenta que a malha. O importante é deixar as bolas rolar, tentando posicioná-las o mais perto possível junto à bola pequena. E até podes jogar na praia.

Para mais acção, tens o jogo da corrida de sacas, tão comum nas quermesses dos miúdos e graúdos. Não precisa mais do que algumas dezenas de metros de campo aberto e meia dúzia de sacas de batatas. Arregaçadas pela altura da anca, vais a saltar como um coelho tentando chegar em primeiro lugar à linha da meta. Às vezes acontece alguém tropeçar. São acidentes de percurso que fazem parte do jogo mas também divertem a assistência.

Para os mais jeitosos, o pau de sebo é o jogo certo. Trata-se de um tronco com cerca de nove metros e meio de altura que normalmente é enterrado no centro do terreiro da aldeia. O objectivo é simples, escalá-lo apenas com a força dos pés e mãos e tentar chegar à bandeirinha do topo em menos tempo. É aqui que se testa a perícia dos “tarzans”, que reúnem verdadeiras claques de incentivo.

Dos teus tempos de infância provavelmente ainda te lembras de uma infinidade de jogos como a apanhada, na qual todos têm de correr sem serem agarrados por quem ficou a apanhar.

Na mesma lógica, as escondidas, em que todos se escondem e tentam chegar ao coito antes de serem apanhados.

Saltar ao eixo ou saltar ao elástico, onde há dezenas de jogos diferentes, desde o básico coca-cola ao mais complexo 1,2,3 também é engraçado.

E por falar em saltar, porque não saltar à corda, para a frente, ao contrário ou em grupo, com duas pessoas a segurar nas pontas e a aumentar a velocidade ou a cadência?

A barra do lenço, a velhinha barra do lenço em que duas equipas têm de roubar um lenço do árbitro que se encontra no meio é dos jogos mais divertidos, mas por vezes polémicos, quando o pessoal se põe todo a discutir.

Mas se tudo isto de dá frio, então nada melhor que o corredor da morte, onde tens de atravessar duas filas de amigalhaços que te dão alguns mimos como chapadas e calduços. Mas se vires alguém mexer ou mostrar a dentuça, pode ser que te safes e esse passa a ser a próxima vítima.

Para os dias chuvosos, junta-te com o pessoal em casa e leva apenas um bloco de notas com canetas.

Jogo dos países, uma versão light do Trivial Persuirt onde em 30 segundo testas a tua cultura geral sobre um determinado tema. Ou então a batalha naval, para afundar porta-aviões e couraçados. E se não bastar, cinco dados normais e um copo de plástico para jogar póker.

Mesmo sem tecnologia, quem disse que não era divertido?

N'Dalo Rocha 2003-11-04

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