Avenida da Liberdade. São duas horas da tarde de um dia tórrido de verão. Como em qualquer grande cidade, Lisboa parece tornar-se irrespirável à medida que a temperatura sobe. Resolves, então, fazer um desvio para os lados da Praça da Alegria em busca de um banco de jardim à sombra. De repente, a placa que indica a direcção do Príncipe Real faz-te pensar nas copas frondosas das árvores daquele jardim, e decides percorrer as poucas (mas íngremes) dezenas de metros que te separam desse agradável refúgio. Não faças grandes planos para já, porque o acaso depressa te trocará as voltas. É que, sensivelmente a meio da subida, numa das várias pausas que terás que fazer para recuperar o fôlego, vais sentir uma profunda curiosidade por uma ruela com um enorme portão ao fundo. Ao aproximares-te, começas a imaginar que, para lá desse portão, se estende um jardim recheado de espécies exóticas, muito fresco, onde poderás passear a coberto da agressividade de sol estival, e ainda tirar algumas fotografias à espectacularidade que a natureza é pródiga em oferecer-nos. Será uma miragem? Uma alucinação provocada pelo calor excessivo? Não, nada disso. Sê bem-vindo ao Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. Entra, e aproveita.
A entrada pode fazer-se por aqui ou pela Rua da Escola Politécnica, no n.º 58. Há que ter em conta o facto de o portão da Rua da Alegria estar encerrado aos sábados, domingos e feriados, e todos os dias a partir das 18h00. De resto, é só passear e apreciar. O Jardim Botânico acabou agora de comemorar os seus 125 anos de existência, tendo saído rejuvenescido das festividades. Desde há alguns meses que as actividades se multiplicam neste espaço, procurando criar pretextos para atrair as mais diversas pessoas e proporcionar-lhes momentos de lazer e de aprendizagem, sempre em comunhão com a natureza.
O próximo fim-de-semana, por exemplo, será bem recheado, a assinalar o solstício de verão. No sábado à noite, às 21h00, Patrícia Pereira irá contar um conto de tradição oral, seguindo-se uma observação de estrelas “e outras luzes”, orientada por Maximiano Ferreira (e nós sabemos, de fonte segura, que nessas “outras luzes” se incluirão as de pirilampos...). Domingo é dia de te iniciares na arte da Heliografia, palavra derivada do grego que significa “impressão pelo sol” – não adiantamos muito para não estragar a surpresa, mas garantimos-te que ficarás deslumbrado com os padrões que podes obter em tecidos a partir de folhas e flores.
Mas isto é só uma pequena amostra. Para ficares a conhecer o programa completo, ou marcares uma visita guiada em grupo para qualquer dia da semana ou do fim-de-semana, consulta o site do Jardim Botânico, em www.jb.ul.pt, ou dirige-te directamente aos serviços respectivos, através dos contactos abaixo indicados. Seja como for, não deixes de visitar este cantinho maravilhoso em pleno centro da cidade. E informa-te sobre as várias maneiras segundo as quais poderás contribuir para a manutenção do jardim, que passam pelo voluntariado ou pela adopção de uma árvore. A natureza agradece, e ficamos todos a ganhar.
Preços dos bilhetes:
€3 (visita guiada, sábados, 11h00)
€1,50 (adultos)
€0,60 (estudantes, cartão jovem, maiores de 65 anos)
Grátis (menores de 6 anos, sócios da Liga dos Amigos do Jardim Botânico, alunos e funcionários da Universidade de Lisboa)
Ana Marta Ramos 2004-06-15