O cenário
Estás em plena Segunda Guerra Mundial e Lisboa fervilha de espiões. A Baixa e o Cais do Sodré, o Bar Inglês ou o Café Martinho da Arcada, são alguns dos lugares preferidos dos alemães, ingleses, franceses, americanos ou espanhóis que vivem na capital, à coca de informações vitais para os seus estados. Fazendo-se passar por escritores, jornalistas, comerciantes ou industriais, correm num corrupio entre embaixadas e festas sociais.
Na altura das descobertas atómicas, das vendas do volfrâmio a
ingleses e alemães e de uma neutralidade dúbia em relação à guerra, Portugal atravessa um período crucial da sua história.
Por todo o lado chegam refugiados da guerra à Praça do Comércio, entretanto a abarrotar de sacos de areia que barricam as portas dos ministérios, tal era o estado de alarme que se vive na época.
O enredo
A acção começa junto ao Café Martinho da Arcada, em pleno Terreiro do Paço. Aos poucos, os participantes vão chegando e travando conhecimento. Bebem-se sumos, cervejas e cafés até que o grupo está todo reunido. Depois, é distribuído a cada comensal do jantar uma personagem, ou seja, uma pequena carta plastificada onde ficas a saber quem és e o que fazes. Há sempre informação classificada que não podes revelar, assim como existe uma forte probabilidade de que trabalhes como agente secreto a soldo de qualquer potência estrangeira ou multinacional. A tua identidade foi revelada, mas ainda falta saber mais, muito mais.
Do Martinho da Arcada percorres a pé o caminho até à casa Teotónio Pereira, no Largo de São Paulo. No caminho, logo te deténs sob o Arco Triunfal da rua Augusta onde te é revelado que o Dr. Eça, personagem principal da história, será assassinado dentro em breve. Esta personagem, homem importante da cultura portuguesa, escreveu obras notáveis que marcaram a literatura portuguesa. “Este cavalo não se peida”, um épico com 800 páginas, é o seu livro mais emblemático alusivo ao cavalo de Dom José, que observado de onde nos encontramos, percebemos o porquê da inspiração do escritor.
Chegando ao Grémio Literário, na Casa Teotónio Pereira, todos se vão mascarando com adereços do teatro, com gravatas, saias, panos, chapéus, óculos ou casacos. Tudo a rigor para tentar retractar o ambiente dos anos 40. Quem pretender, também pode ir vasculhar aos baús das avós antes de vir jantar, onde com certeza não faltam adereços de decoração old fashion.
Após uns aperitivos, o jantar tem início. Sentam-se todos na mesa onde está a placa dourada com o nome de cada um e o jantar tem início, até que ofegante, entra a secretária do Dr. Eça com a bombástica notícia. Foi assassinado por volta das 17:00h!
E para complicara ainda mais, suspeita-se que o assassino se encontra entre os presentes.
Depois instala-se a confusão. Entre as acusações e intrigas que são lançadas à medida que cada personagem vai recebendo mais cartas com informações a revelar ao grupo, descobrem-se factos divertidos, para além de ficar bem patente o voraz apetite sexual de Eça. O objectivo final, à medida que vais jantando, é tentares reunir as pistas certas para se descobrir quem matou Eça.
Os autores
Segundo Rui Pereira, antigo jornalista do Diário Económico e autor dos textos, estes jogos são bastante populares nos EUA, daí que tenha arriscado trazer o conceito de entretimento para Portugal. Os textos são todos originais e cada dois meses, mudam completamente.
Para além destes jantares a Playlisbon organiza também visitas guiadas ao castelo de São Jorge, onde através de pistas, vais descobrindo a história da cidade. E só para adultos, existe também outro programa histórico, no qual se explica o passado através da sexualidade, contanto feitos notáveis de gentes da época, que marcaram determinada rua, praça ou bairro. Enfim, uma Lisboa desconhecida da maioria das pessoas.
Junta um grupo de amigos, ou arrisca participar com desconhecidos, e passa uma noite realmente diferente.
Para mais informações contacta:
http://bode-expiatorio.com/
N'Dalo Rocha 2004-07-20