Bem, na teoria é fácil, barato e divertido, viajar assim. Mas na verdade, esta é uma viagem longa e desgastante, na qual é fundamental saber administrar a logística e planear o percurso, para ultrapassarmos os imprevistos. Aqui ficam alguns conselhos muito úteis. E se há uns anos era só para menores de 26 anos agora é para todas as idades. Embora com preços diferentes.
Amigos amigos, viagens à parte
A escolha do parceiro/a de viagem é fundamental para se evitarem conflitos de personalidade que a tornem aborrecida e stressante. Geralmente fazem-se novos amigos, mas também se estragam amizades de anos.
Certo dia, o músico Pedro Abrunhosa que se encontrava na ex- Jugoslávia a fazer um interrail com dois amigos, levantou-se de manhã e disse que ia comprar pão. Apanhou o primeiro comboio que passou e continuou o resto da viagem sozinho. Não foi o primeiro a fazê-lo e não será o último.
Viajar 30 dias como um saltimbanco, nem sempre nos deixa muito bem humorados. E, se passamos o tempo a discutir constantemente com os nossos "amigos" de viagem, ao fim de algum tempo só nos apetece é estar sós. Se calhar ainda acabamos como o Pinto da Costa a recitar de cor e salteado o poema do António Nobre, Só. Mas adiante.
Se a sua onda for o espírito rebelde e aventureiro, também pode experimentar ir sozinho/a e colar-se aos companheiros de viagem que se encontra pelo caminho. Uma forma aumentar a agenda telefónica. Há quem se adapte bem.
A comida
A comida, a abençoada comida, deve ser trazida em parte de casa. Infelizmente, ocupa muito espaço e pesa imenso na mochila, mas levar connosco a ração de sobrevivência, como os enlatados e os pacotes de massa e arroz, tiram-nos muitos vezes de apuros, principalmente quando o dinheiro está curto e o estômago vazio. Para cozinhar, não precisa do fogão de campismo, pois quase todas as pousadas da juventude têm cozinha.
Dá para desenrascar, mas não pense que chega, pois vai ter sempre que comprar comida. Principalmente legumes e fruta, que é barata e alimenta mais do que parece. Costuma-se dizer que em tempo de guerra qualquer buraco é trincheira, e em momento de aflição, duas bananas, um cacho de uvas ou meio quilo de tâmaras podem ser um manjar providencial.
Ah, e leve sempre um canivete suíço, que lhe será bastante útil, na abertura de lata e garrafas ou para descascar fruta e não só. Uma pequena lanterna de bolso, também pode dar jeito nalguma situação pontual.
O telefone
Para estar em contacto com amigos, pais e familiares, o Marconi Phone Card. Este é um cartão virtual, com um número confidencial, que lhe permite efectuar chamadas telefónicas, enviar mensagens de fax ou transmitir dados, a partir de qualquer telefone, no estrangeiro ou em Portugal. Para tal, só terá que marcar o número de acesso do país onde se encontra e seguir as instruções. Este cartão é pré-pago em Portugal, e não necessitará pois de moedas ou cartões adicionais. Fácil e prático, para além de não ser muito caro. As tarifas variam conforme o país, mas dentro dos países da Comunidade Europeia é de 0.42€ por minutos.
A segunda opção é levar moedas Euro, mas não se fie muito, pois em muitos países como a Espanha ou a Itália as cabines são mistas, para cartão e moedas, noutros, como é o caso de Portugal as de moedas quase desapareceram. Depois, nos países de Leste e Turquia, não servem de nada.
A terceira opção é comprar cartões telefónicos nos países, mas não é recomendável, pois corre o risco de não gastar o cartão todo que só terá uma vida útil de dois ou três dias.
E a quarta opção é o nosso próprio telelé, apetrechado com sistema de rooming. Já foi um luxo, mas não é mais. Caro é, mas também muito útil.
E para os país corujas, que nem se importam de contribuir um pouco, é um descanso saber que a filha às duas da manhã está a chegar a Viena de Austria, sã e salva.
Cuidados médicos
É aconselhável levar consigo uma pequena farmácia ambulante, (ver tome nota farmácia) como as já costumeiras aspirinas, benurons para a febre, curitas, betadine ou outro anti-gripal.
Mas, antes de ir de viagem, vá ao seu médico de família pedir uma carta de segurança social, a qual garante assistência médica gratuita em qualquer hospital público dos países da União Europeia. Conhecida como norma E111, pode mesmo salvar-nos de grandes apuros, quando se está com 40 graus de febre e a três dias de viagem de casa. Lembre-se que não é difícil apanhar intoxicações alimentares, ou pequenas gripes de verão, que nos podem atirar para a cama. No meio de um Interrail, não é prático voltar para Portugal num estado de saúde assim.
Por fim, evite beber água das fontes, ainda que haja quem defenda o contrário, procurando sempre comprar água engarrafada.
Dinheiro
Não faça é como o Adriam Mole, que se ganhasse a lotaria, mandaria coser no forro das jeans, 30 000 libras estrelinas em traveller checks, para dar a volta ao mundo.
Um cartão electron, funciona em toda a Europa Central, Europa de Leste e Turquia. É suficiente e mais práctico. O grande senão, são as escandalosas taxas de comissão que os bancos estrangeiros cobram, mesmo quando se trata de levantar Euros dentro da comunidade.
Se levar dinheiro, pode ser assaltado ou perdê-lo, para além de não ser cómodo ter uma carteira cheia que mal fecha. Assim, há sempre as carteiras de pescoço, que não incomodam nada e escondem-se debaixo da camisola.
Se não, a solução clássica do burnal, a carteira de cintura que aperta como um cinto e se fecha com cremalheira.
Finalmente é conveniente aproveitar as tecnologia e digitalizar o passaporte, BI e bilhete de viagem, nalgum webmail a que tenhamos acesso de qualquer parte do mundo. É que se perdermos os documentos, podermos ter complicações com a fobia do espaço Sheguen.
N'Dalo Rocha 2002-04-30