Vamos começar desde já por esclarecer que passamos a apresentar ao leitor uma Organização Não Governamental Ambiental (ONGA) que, entre outras coisas, está votada à erradicação dos desertos em Portugal. Desertos de informação, entenda-se. Neste caso, informação acerca de fauna.
Nas asas do saber
O Museu Nacional de História Natural é o "poiso" do Tagis - Centro de Conservação das Borboletas de Portugal. Trata-se, como já referimos, de uma Organização Não Governamental Ambiental (ONGA), cujo objecto de estudo são as delicadas borboletas. A conservação da diversidade da fauna do nosso país é um dos motores que faz mover esta engrenagem, alimentado por uma sólida investigação científica.
Depois, para além das acções específicas de conservação e gestão de espécies e habitats, que incluem a formação de uma Colecção de Borboletas e a criação de uma Base de Dados de Lepidópteros (o nome científico das mesmas), o Tagis aposta na divulgação científica e na sensibilização do público para esta questão. Isto porque não há melhor aliado do que um aliado informado, e quando se trata de preservação da natureza todas as ajudas são bem-vindas.
Exposições, edição de folhetos informativos e de conteúdos para a Internet, oficinas pedagógicas, programas com escolas, colóquios e saídas de campo temáticas são as principais armas utilizadas nesta cruzada. O site do Tagis, além de esteticamente agradável, é um manancial de informação acerca destes insectos aos quais, de tão graciosos, nem apetece chamar insectos. E é por aí que os interessados podem começar a informar-se acerca das actividades ludico-pedagógicas em que podem participar.
Recrutamento
Em termos de informação acerca das borboletas que habitam o nosso país, o Tagis detectou algumas lacunas consideráveis. Para operacionalizar melhor os dados (existentes e não existentes), dividiu-se o território (continental, por enquanto) em quadrículas de 10X10 quilómetros, a que se chamou UTMs. Existem cerca de 1.000, e 190 delas estão completamente em branco, pelo que mereceram o nome de Desertos de Informação Geográfica, ou DIFs.
Daí o apelo: ajudem a apagar estes desertos do mapa. É muito simples, pode ser extremamente divertido e educativo e é, sobretudo, extremamente útil.
Na página do site dedicada a este assunto é possível fazer download de um documento que organiza as regiões do país onde a informação escasseia. Depois, basta incluí-lo na bagagem sempre que resolver seguir uma sugestão do Lifecooler, aproveitar o passeio para recolher dados nas localidades deles carenciadas e, posteriormente, enviá-los para o Tagis.
É fácil ser útil
Essa informação será tratada e inserida na base de dados do Centro, constituindo, assim, um valor acrescentado para o conhecimento do nosso Património Natural. Para que um dado possa ser validado, é necessário que se registem, pelo menos, os seguintes aspectos: espécie observada, local (preferentemente lugar, freguesia e concelho), data da observação e nome do observador. Para os leigos na matéria, a identificação da espécie pode perfeitamente ser substituída por uma fotografia.
Todas as dúvidas serão prontamente esclarecidas pelos peritos do Centro. Para já, fica o apelo. E reforçamos, ainda, a ideia de que toda e qualquer observação é merecedora de registo. Não se trata aqui de descobrir raridades. A ideia é dispor de informação que cubra todo o território do país, pois só assim se poderá aferir da evolução da espécie a médio e longo prazo, e avançar para a implementação de programas de acompanhamento e recuperação.
Vamos a isto?
Contactos:
Tagis - Centro de Conservação das Borboletas de Portugal
Museu Nacional de História Natural - Museu Bocage
Rua da Escola Politécnica, 58
1250-102 Lisboa
Tel./Fax: 213 965 388
E-mail: info.tagis@sapo.pt
rcarewebmaster@yahoo.com.br
Ana Marta Ramos 2005-08-09