Assim de cabeça, não me ocorre nenhum lugar tão invulgar mas ao mesmo tempo aliciante quanto as Minas de São Domingos, lá para as bandas de Mértola. A mina fechou há quarenta anos, quando o preço do cobre deixou de compensar.
Do cheiro a história, permanecem as ruínas, as tais que contribuem para o cenário apocalíptico e que nos dão uma ideia, ainda que vaga, de como seria uma estrutura destas a funcionar em pleno.
Ainda lá se encontram as casas todas iguais e em fila pertencentes aos antigos mineiros.
Os administradores viviam mais afastados, na zona nobre. Desde o século XIX que era assim.
Inicialmente teria o viajante interessado pela arqueologia industrial que procurar dormida noutras paragens, mas agora já não. O antigo "Palácio dos Ingleses", antiga sede das minas, a construção mais distinta e respeitável das demais existentes, sofreu as devidas remodelações (e ampliações) para abrir, em 2006 como estalagem cinco estrelas, actualmente hotel de quatro estrelas.
Estrelas no Alentejo, como se sabe, não é coisa rara de se ver, mas as da hotelaria ainda o são. Quanto às outras, os pontos cintilantes que vivem no céu, quem os gosta de observar, veio ao sítio certo. O Hotel São Domingos orgulha-se de possuir um observatório e auditório de apoio ultramoderno que está para a astronomia como o Rolls-Royce para a indústria automóvel, se é que me entendem.
Explorar os cantos à casa
A calma e o sossego que o Alentejo transmite seria mais do que essencial para que ninguém saísse daqui insatisfeito, mas o sítio tem outros e bons atractivos...
O diálogo entre modernidade e tradição sente-se em todos os espaços, desde a ala centenária à reconstrução mais contemporânea. A biblioteca D. Amélia é uma sala imponente com o estuque a deixar transparecer a antiguidade.
Pelos mesmos requisitos se pauta o Salão D. Carlos. E já vão duas salas a descobrir. Uma homenagem à História e aos monarcas que visitaram a casa e deixaram a sua presença marcada em livro.
A nível de alojamento, a ala centenária e antiga sede administrativa das minas está reservada aos quartos superiores, onde a hidromassagem acalma os desaires da viagem. Na mais moderna ficam os restantes quartos com varanda privativa. As espreguiçadeiras lá estão e são um convite descarado a uma sesta.
Quem não conseguir dormir ao ar livre entretém-se com a vista para a piscina e para o jardim. Demore-se por lá, enquanto procura pelo relógio de sol, ou pelo pátio interior, propício à conversa e à leitura.
Paula Oliveira Silva 2005-03-30