Hotel Convento de São Paulo

Dormindo com(o) os monges.

Por estradas sinuosas embaladas pelo balir de ovelhas e envoltas no verde da vegetação da serra d’Ossa. Assim se chega ao Convento de São Paulo, trilhando caminhos desbravados há séculos atrás pelos monges jerónimos da Ordem de São Paulo Eremita que ergueram a primeira pedra deste monumento já lá vão quase 5 séculos. Quando se transpõem os portões, a aura é outra... e tropeça-se na maior colecção portuguesa (privada) de azulejaria. À sua volta ficam os cerca de 40 quartos.

Paredes com História

Bem-vindo ao convento da serra d’Ossa. Entre paredes caiadas de branco e outras por caiar, a primeira imagem que dele retemos é a de uma capela antiga, que repousa contra uma paisagem verde e azul.

Nascido da vontade da Congregação dos Monges de Jesus da Pobre Vida, que no século IV partiram em busca de um local de meditação, já mudou de localização várias vezes (a actual surge em meados do século XV).

Foi saqueado, deitado abaixo, reconstruído e hoje é um hotel de luxo, retalho admirável de vários estilos arquitectónicos. Mas isto é História que se lê nas entrelinhas. Para não perder o fio à meada, avançamos com uma pista: “tudo o que é de granito é quinhentista, tudo o que é mármore é setecentista”. Quem o diz é o proprietário, o engenheiro Henrique Leote.

Sabendo isto, é ver como o novelo se desvenda à medida que conhecemos a ala onde eram as celas (e hoje são os quartos), a capela, o claustro, o refeitório dos frades, os passos perdidos, a estatuária de terracota, a fonte das Quatro Estações, classificada Monumento Nacional e, claro, a antiga capela de Nossa Senhora da Roca.

Mas neste convento, a História também se faz de histórias. Uma espécie de memorial do convento que se materializa em cerca de 50.000 azulejos, feitos entre os séculos XV e XVII. Quem percorre os corredores, vê desenrolar-se (à direita) a vida de Jesus Cristo e (à esquerda) a de São Paulo, o primeiro eremita de que há registo na religião católica. Histórias de azulejo, contadas a azul e branco...

Andreia Melo

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