Exteriormente, ainda podemos ser iludidos pela descrição de uma casa caiada de branco como não podia deixar de ser ou não estivéssemos nós no Alentejo. As estéticas janelas verdes de madeira ainda lhe aligeiram mais o traço, o que nos leva a dizer sem qualquer tipo de exagero que é bonita.
Apesar de estar dentro do padrão rústico, oferece soluções bastante inovadoras, constituindo um excelente case study de como se deve fazer em arquitectura de interiores.
Assente num terreno inclinado, toda ela está bem adaptada aos acidentes geográficos dividindo-se por três patamares distintos onde se encontram duas salas, três quartos e mais dois quartos exteriores, contíguos à casa.
À entrada, somos acolhidos por um amplo salão com chão de xisto que nos dá as boas- vindas. Ao centro, destaca-se a longa mesa de madeira onde se tomam os pequenos-almoços, à esquerda a cozinha e do lado inverso, confortáveis almofadões sob um tecto rebaixado, convidam ao serão e quem sabe, à boa conversa diante a lareira.
Os quartos até nem são muito amplos mas estão tão bem dimensionados que se tornam acolhedores. Até porque será difícil que alguém se sinta menos cómodo aqui. O chão é de tijoleira e o tecto forrado a caniçais provenientes da horta.
De manhã, desperta-se ao chilrear dos guarda-rios que andam ali por perto. Primeiro abre-se a janela da porta e vê-se o campo. A seguir, é a vez da porta verde que se mexe para nos dar passagem ao encontro com a natureza.
A horta
Construído junto ao leito de uma ribeira de terrenos férteis, a velha horta ali existia, muito antes dos proprietários sonharem em reabilitar as ruínas da velha casa para turismo rural.
E por os terrenos serem férteis, para além da visão ecologista dos donos, a velha horta conservou-se e continuou a produzir. Da terra nascem figueiras, pessegueiros e nespereiras que nos brindam com doces frutas.
Felizmente, é tudo biológico, pois na Horta dos Torrejais não se utilizam químicos. Ah, bendita ecologia, e as crianças que visitam a casa também agradecem. E o melhor, é que quem come não presta contas a ninguém.
Mais próximo de casa, também há morangos, cebolas, alfaces e batatas entre outros legumes, ingredientes mais do que suficientes para a boa sopa. Tudo está lá, só falta a vontade de cozinhar. Até parece abuso mas no meio de tanta facilidade, aproveita-se.
Na margem esquerda da ribeira, oliveiras desalinhadas povoam a encosta da colina. Quem quiser participar na apanha da azeitona, só tem que marcar aqui férias a partir de finais de Setembro. Com sorte, ainda se prova um bom azeite virgem da casa.
N'Dalo Rocha 2002-06-25