Quatro quilómetros de terra batida separam o monte do asfalto. Penetra-se no Alentejo profundo mas devagar porque uma enorme nuvem de pó se levanta e as velocidades, aqui, só para pilotos de rally.
Enquanto se observam os sobreiros e azinheiras, duas raposas matreiras atravessam a estrada de repente. Vão em passo de corrida e depois param a olhar para o carro. Ah, estamos mesmo no meio da natureza e até nos esquecemos do pó que comemos.
Herdade adentro
Finalmente chega-se à herdade. O nome, Chamusquinho, é sugestivo e assenta-lhe como uma luva. Pois, para os que não sabem, chamusquinho é uma planície alagada. E não longe dali, repousa o braço da Barragem de Montargil.
Curiosamente, o monte não é constituído apenas por uma mas sim por várias casas, transformadas em apartamentos equipados com dois e três quartos. Visto de fora, o conjunto é harmonioso e destaca-se a clássica traça de monte alentejano, com paredes caiadas de branco, com uma simples barra azul ao redor.
Dispostas em forma de L em redor do jardim, as casas parecem orientar-se para a piscina. Faz sentido, pois quando o calor aperta a mais de 40º, lá vai banhoca. Depois, quase ao acaso, uma figueira, uma oliveira ou um canteiro que irrompem do nada mas alegram o ambiente.
No alpendre, sentado nos bancos de madeira ou na cadeira de corda, deixa-se passar o tempo devagar e aprecia-se a tranquilidade do sítio. Quando há muita gente, usa-se o sótão de uma das casas. O pé direito não é muito alto mas as crianças adoram-no e disputam quem lá vai passar a noite. Por isso, se decidir levar os seus filhos, isole-os lá de noite e vá buscá-los de manhã. De vez em quando, não faz mal nenhum descansar no sentido literal do termo.
N'Dalo Rocha