Grande Hotel de Paris - Porto

Quarto com vista sobre a cidade.

Fundado em 1887, foi o primeiro hotel com água canalizada no Porto, albergou Camilo Castelo Branco durante um período particularmente difícil da vida do escritor e passou por gerências francesa e galega, antes de chegar à actual.

Porto mais Porto não há

Hoje é uma residencial de localização privilegiada, a dois passos da Avenida dos Aliados, o que equivale a dizer a dois passos de todas as principais atracções da baixa portuense. Talvez por isso seja procurada, sobretudo, por visitantes estrangeiros, que preferem ficar alojados num local que proporcione fácil acesso aos motivos por que empreenderam a viagem ao Porto. A estação de comboios de S. Bento, os mais diversos autocarros e até o aerobus, ficam todos mesmo ali à mão de semear.

Mas a localização não é o único encanto desta residencial com nome cinematográfico. A sua personalidade, digamos assim, é o que conquista totalmente os hóspedes. Não é para menos. A arquitectura do século XIX junta três edifícios num só, ligando-os através de uma única escadaria comum, de aparência labiríntica mas, na realidade, muito fácil de decifrar: por mais voltas que dê, vai dar sempre ao mesmo sítio. E as clarabóias iluminam o caminho.

Paredes forradas a memórias

Ao longo de mais de cem anos, muitas histórias se desenrolaram por estes corredores forrados a tapete vermelho. A história do Grande Hotel de Paris costura-se, precisamente, a partir desses fragmentos de vidas. Como a da família galega que ali encontrou negócio e refúgio da Guerra Civil de Espanha, transformando, na altura, o restaurante numa das referências gastronómicas da cidade. Ou a de Camilo Castelo Branco, que viveu nesta residencial durante um período particularmente depressivo da sua vida, do qual recuperou graças às artes mágicas de D. Gertrudes, a cozinheira.

O que nos leva a outra história: no famoso naufrágio no Douro em que o Barão de Forrester perdeu a vida, tendo-se salvo Camilo Castelo Branco e D. Antónia, a Ferreirinha, pereceu igualmente essa cozinheira de mão cheia. Camilo levara-a para proporcionar um piquenique de luxo aos seus companheiros de viagem, e veio mais tarde a afirmar ter sido essa a perda mais lamentável no trágico acidente.

Mais recentemente, a passagem da equipa de filmagens de "Maria e as Outras" pela residencial valeu a atribuição do nome de Catarina Furtado ao quarto 204. O "quarto do polaco" ou o "quarto da professora" são outros dois testemunhos de hóspedes de presença marcante.

Ana Marta Ramos 2005-05-24

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