O nome
Freixo de Espada à Cinta é um nome que com certeza já intrigou meio mundo. Os historiadores actuais ainda não chegaram a nenhuma conclusão definitiva, embora admitam a hipótese que um guerreiro visigodo de apelido Espadacinta, dormiu por ali uma sesta à sombra de um freixo. Daí, resultou o nome Freixo de Espada à Cinta. Outra versão de cariz mais popular faz referência a um fidalgo do século X de apelido Feijão, como tendo sido este o fundador da vila. No seu brasão, teria um freixo e uma espada.
E a última versão, mais parecida com a primeira, conta que D. Dinis dormiu a sesta à sombra de um freixo e para ser mais cómodo, pendurou a sua espada com a cinta à volta do tronco da árvore. Depois destas explicações diferentes o turista pode não ficar muito elucidado, mas fica a saber que há um freixo e uma espada na origem do topónimo.
A vila
Quem vem do sul, de Barca D’Alva, avista mais uma vila que se estende ao longo do planalto com vista para o Douro, ainda que antes encontre uma placa na estrada que tem escrito: Freixo de Espada à Cinta. É ali mesmo.
Nesse momento é apenas a sensação de vitória por cá termos chegado que nos satisfaz. Uma pequena vitória pessoal que vem matar uma curiosidade há muito alimentada. Por dois minutos sai-se do carro e fotografa-se só a placa para poder dizer aos amigos, já estivemos lá. Normalmente, quem nunca cá veio reage assim, os outros que já conhecem, provavelmente também deram pulos de alegria. Com o ego refeito, avança-se em direcção ao centro.
A primeira impressão que se colhe sobre a parte nova é que se trata de uma vila pacata e urbanisticamente bem organizada. Junto ao enorme pavilhão polidesportivo, há jardins intercalados de calçada onde crianças jogam à bola. Em frente do posto de turismo mais uns canteiros relvados e um largo bonito com plátanos. À volta deste, começa a parte velha de Freixo onde se encontram as primeiras casas manuelinas.
Curiosamente, esta é das vilas com maior número de casas manuelinas em Portugal, muitas delas brasonadas. O espólio é impressionante, e mesmo quem não é versado em história da arte, identifica sem dificuldades as ornamentadas janelas tão características, que concedem uma traça arquitectónica única.
À parte dos solares, a influência manuelina também está patente no pelourinho e a Igreja Matriz, obra do arquitecto Boitaca, mestre de obras do rei D. Manuel.
Torres, miradouros e bichos da seda
Junto à Igreja Matriz está a torre heptagonal, mais conhecida como do Galo, que fazia parte da muralha defensiva constituída por mais duas enormes torres. Bem conservada, merece a visita e o esforço de subir os degraus, pelo menos só até à porta de madeira. Do alto, tem-se a melhor vista sobre Freixo de Espada à Cinta, rio Douro e até dos campos à volta.
Mas quem procura as melhores fotografias panorâmicas, deve ir até ao Penedo Durão. Não muito longe, é conhecido por ser o melhor miradouro da região, com uma vista que entra pela Espanha, rasgando o horizonte quase até Salamanca, nos dias de sol, claro.
Olhando com atenção apenas para as terras portuguesas, sobressaem inúmeros pombais espalhados pelas colinas, que no passado serviam de abrigo a milhares de pássaros usados como “insecticidas” para proteger os campos de trigo, pomares e as amendoeiras.
N'Dalo Rocha 2002-05-07