Figueira da Foz com mar e lagoas

O calçadão da Figueira da Foz, com o velho hotel, o casino e as marisqueiras. Isto para começar. Segue-se uma viagem pela costa ou pelo pinhal, e acaba-se numa das três lagoas, com nenúfares tranquilos e sapos aos saltos.

Não é o calçadão de Copacabana, mas podia ser. Ao longo cinco quilómetros de baía estende-se a maior praia de areia do país (é verdade que há cerca de mil praias no país que reclamam esse título, mas pronto). Por aqui e acolá, grupos de jovens a correr no meio do areão numa peladinha de praia, a saltar num campo de basket ou a jogar ténis. Paralela à estrada, uma pista onde ciclistas e patinadores deslizam suavemente. As avós e os netos, também vão aproveitando a paisagem sentados nos bancos de madeira que se amontoam em fila ao longo da infinita calçada. Depois há sempre um bar de praia, uma esplanada, para não falar nas marisqueiras que por estas bandas abundam. Se puder, vá almoçar ao Teimoso 2 em Buarcos, onde se come bom peixe e marisco, sempre servido em panelas de alumínio. E depois de uma boa almoçarada, aproveite para andar à beira mar. E, já agora, um visita ao antigo Forte de Santa Catarina enquanto faz a digestão.

É verdade que arquitectonicamente a Figueira da Foz não é uma cidade deslumbrante, porém, é sempre interessante encontrar marcas indeléveis de outros tempos, quando o Algarve ainda não estava de moda e as pessoas veraneavam em praias míticas como Espinho ou a Figueira. E dessa época, o Grande Hotel marcou um estilo de vida, quando tinha quartos para os veraneantes e outros, mais pequenos, para os empregados das senhoras da alta sociedade. No Casino, tal como antigamente, ainda se pode aliviar o peso da carteira. A praia também era diferente, havia mais barracas e toldos de lona, para além dos enormes fatos de banho. Mesmo sem o glamour doutras gerações, hoje tudo consegue ter mais vida e cor, até porque as patinadoras são atletas de uma grande elegância.

Do Cabo Mondego a Quiaios

Para além da praia, visitar a Serra da Boa Viagem é um dos passeios mais bonitos que se pode fazer. Segue-se pela velha estrada nacional 109 ao longo da costa, até se encontrar o farol do Cabo Mondego. Depois há duas hipóteses para seguir até Quiaios. Continuar pela serra, por entre a densa vegetação selvagem de pinheiros, sobreiros e silvas, ou optar pela estrada em terra batida da costa, que logo após o farol atravessa uma pedreira. Durante poucos quilómetros vai-se quase junto à falésia e desfruta-se de uma excelente vista para o mar. Do lado direito, numa enorme cratera onde outrora havia rocha, jaz agora um buraco. Mais adiante, uma vivenda com uma forma peculiar, mais conhecida por Casa do Cogumelo. O nome resulta da forma do tecto, que parece um autêntico champignon.

Ao longe, começa-se a avistar a aldeia da Murtanheira e logo a seguir Quiaios, aldeia simpática, com casas pequenas e nome invulgar. Ainda que Quiaios não tenha muito para ver, sempre se pode fazer uma pausa antes de se partir à descoberta da praia e das lagoas.

N'Dalo Rocha 2001-12-05

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