A explosão da ideia
Salitre, enxofre e carvão são os elementos que estão na base de uma receita explosiva, a pólvora. No condensado Museu da Pólvora Negra, segundo consta único a nível mundial, sabemos disso e de outras curiosidades históricas ao mesmo tempo que nos familiarizamos com termos que caíram em desuso no nosso dicionário. Bacamarte, arcabuzes, polvorinho... Faz a mínima ideia do que sejam?
Em quatro pequenas salas e sem ser necessário recorrer a pesadas compilações de enciclopédias percorremos cinco séculos de laboração da pólvora em Barcarena. Entre outras temáticas, fica-se a par de inovações tecnológicas para a altura, lutas por melhorias de trabalho e explosões violentíssimas como a que acabou por originar o encerramento do complexo no final do século passado.
Antigos trabalhadores falam do ambiente vivido nos últimos anos e mostram-se em vídeo. Vale a pena ficar a ouvir. Ofício perigoso, este.
Espaços de lazer
Saídos do museu, nada nos diz que motivados por alguma ilusão óptica não vejamos passar um trabalhador sujo de fuligem. Já lá vai o tempo... Agora está tudo muito calmo, arranjado e limpo, tirando a ribeira de Barcarena que ainda corre no seu leito de seixos e que seguramente conheceu melhores dias antes da instalação da fábrica.
A visita às antigas instalações é certamente mais tranquila que no tempo em que aqui laboravam mais de cem trabalhadores. Os jardins temáticos, das Oliveiras e dos Quatro Elementos, são lugares sossegados com sombras e bancos que recebem para uma tarde alternativa aos areais a abarrotar.
No Pátio do Enxugo, sombra é coisa que não existe mas há repuxos que tocam ao som da música e a possibilidade de realização de espectáculos de diversa ordem. Hoje é de lazer que trata este espaço onde noutros tempos se procedia à secagem, empreitada de elevado risco. Por isso as altas e fortes paredes.
A lápide chama à realidade, a lembrar o acidente com os 1500 quilogramas de pólvora que explodiram de uma só vez. Já lá vai o tempo (1862) mas a memória aqui fica. É por razões como esta que em certas zonas do complexo fabril encontra o tijolo de burro, material que propiciava um menor risco de produção de faísca de que a pedra. Razão tinham os trabalhadores em venerar Santa Bárbara, a padroeira da Artilharia...
O percurso pedonal leva ainda às antigas dependências fabris construídas em diferentes épocas e destinadas às diversas fases da produção da pólvora. As tabelas explicativas que aí se encontram preservam a memória do passado.
Paula Oliveira Silva 2004-07-27