Expressão Dramática no Chapitô

Ao fim do dia, há quem goste de beber uma cerveja com os amigos, de dar um salto ao ginásio ou de correr para o aconchego do lar. Outros aproveitam para embarcar numa viagem pela imaginação através da linguagem dramática. Os cursos de fim de tarde do Chapitô são uma autêntica terapia e um percurso de descoberta pessoal.

São 19 horas em ponto e o ginásio está completamente cheio. O professor chama os alunos e eles prontamente acodem. Já sabem o que têm a fazer e por isso sentam-se à volta do rectângulo que é a sala. Ocupam todos os lados, excepto um, preenchido que está por cadeiras fixas ao chão. Estas servem de cabide para as roupas, malas e telemóveis, agora silenciados das mais de 40 pessoas que presentes. Com calçado ou sem ele, o importante é que se sintam confortáveis. Ouve-se o sussurro típico de quem ainda não acalmou. Um “xiu” significa silêncio e começa-se de imediato.


Na praia

Qualquer que seja o exercício, trabalha-se sempre com o princípio da abstracção. Neste primeiro caso que é dado, a imaginação tem que fazer crer que se está sozinho na praia num dia solarengo. Há que reagir a esse facto sem qualquer ferramenta adicional que não seja o próprio corpo. Uns deitam-se no chão, outros preferem continuar sentados e encostados aos enormes vidros que alcançam quase toda a parede. O professor passeia-se pela sala por entre os corpos espalhados. Se toda a gente estivesse deitada, provavelmente não caberiam. Quem chega atrasado, aproveita o pouco espaço livre, tendo por cuidado não pisar os colegas.

Alguém exterioriza com sons. Outros se lhe seguem. “Façam só o que sentem necessidade de fazer. Não pensem que têm de fazer o que eu estou à espera que eu não estou à espera de nada” elucida o professor. Brinca-se com a areia que aqui não existe, ou então rebola-se, no pouco espaço que se tem, como se estivessem numa praia apinhada de gente em pleno Verão. Há quem se vire, cansado que está da posição e do sol que parece queimar. Riem-se e verbalizam o pensamento. Mas no meio de tanta gente, pouco se percebe. Também não é essa a intenção. Pausadamente, algum tempo depois, o professor chama os nomes de um a um, sinal que podem relaxar. O exercício terminou e a música que o acompanhou também.

Paula Oliveira Silva 2002-12-03

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