PORTUGAL FAZ-LHE BEM

EVOA - Espaço de Visitação e Observação de Aves - V. F. Xira

Quando o Tejo ganha asas

Situado no coração do estuário do Tejo, o EVOA dá a conhecer a vida e o habitat das aves no seu estado mais selvagem. Caminhar entre lagoas e trilhos camuflados, espreitar os animais em postos de observação ou lanchar num lounge-bar panorâmico são algumas das experiências a descobrir neste santuário da biodiversidade. Paz e natureza às portas de Lisboa que nos fazem voar até ao mundo desconhecido das aves.

“Onde o Mundo encontra o Tejo”. Um dos slogans do EVOA sugere-nos que este espaço de visitação e observação de aves só pode ficar num sítio especial e é bem verdade. Assim que atravessamos a ponte Marechal Carmona (sentido V. F. Xira - Porto Alto) encontramos logo a primeira de muitas indicações que nos levam direitinhos ao destino.

Depois de um grande portão verde que delimita a entrada na Companhia das Lezírias percorre-se uma dúzia de quilómetros por estradas de terra batida, rodeadas por arrozais e outros terrenos agrícolas. A certa altura começamos a avistar um curioso edifício que aponta ao Tejo, sob estacas e totalmente construído em madeira, onde funciona o Centro de Interpretação. Eis o “ninho” do EVOA.

A receção aos visitantes faz-se numa área decorada com frases de escritores que evocam a natureza. La Fontaine, por exemplo, disse recorrer “aos animais para instruir os homens” e o mesmo acontece com este espaço, inaugurado em dezembro de 2013. Está lançado o mote para a caminhada que se segue.  

Três lagoas, milhares de aves

A área exterior do EVOA, com cerca de 70 hectares entre a lezíria e o Tejo, é composta por três lagoas – Principal, Rasa e Grande – todas artificiais mas cada uma com a sua dimensão e profundidade. Para um leigo isso pouco importa mas a verdade é que estas caraterísticas determinam as preferências das aves e os locais ondem decidem viver. Embora haja várias opções de visita é aconselhável fazer o Percurso Principal (4500 metros; 2 horas de distância) para melhor descobrimos as diferenças entre elas.

Em menos de 10 minutos (percorridos com o máximo de silêncio possível) chegamos ao primeiro posto de observação, estrategicamente colocado sobre a lagoa Principal. Esta é habitada sobretudo por patos (anatídeos), como o ganso bravo, o pato real, o mergulhão ou a marrequinha. À primeira vista é quase impossível distingui-los mas o olhar experiente do guia e um telescópio potente facilitam a tarefa dos visitantes. 

Segue-se mais uma caminhada com meia dúzia de minutos até ao próximo posto de observação, já na lagoa Rasa. Com apenas 10 a 15 centímetros de profundidade, esta tem a preferência das aves limícolas (designação que vem do latim limus, aquele que vive no limo, lodo ou lama). Entre elas estão, por exemplo, os alfaiates, os pernilongos ou os maçaricos-reais. Durante o verão esta área seca totalmente, servindo então como local de nidificação para inúmeras espécies.

O terceiro observatório fica em plena lagoa Grande, a maior das três (30 hectares), o que permite albergar uma grande quantidade e variedade de aves. Logo à chegada tivemos o privilégio de ver a perseguição de uma ave de rapina mas há muitas outras para observar. Só marrequinhas havia mais de 2 000, um número bem abaixo do “recorde” neste local, a rondar as 11 000.

Os postos de observação terminam aqui mas quem quiser dar a volta às lagoas e completar o percurso principal tem mais 2 km de caminhada pela frente. As aves, claro está, continuam a ser a principal atração (afinal o EVOA acolhe cerca de 200 espécies) mas entre campos e canaviais também se escondem répteis, lebres e até javalis.

Ensinar e sensibilizar

De volta ao edifício do centro de interpretação vale a pena visitar a exposição permanente, já incluída no preço do bilhete inicial. Aqui é possível aprender mais sobre as aves que acabámos de observar mas também descobrir a importância das estações e das marés, conhecer as rotas migratórias e, claro, ganhar consciência dos valores ambientais, agrícolas e culturais do estuário do Tejo.

Por fim nada melhor que terminar a visita no lounge bar/cafeteria, um espaço cheio de luz graças a uma enorme superfície envidraçada com vistas para as lagoas e para o Tejo. De olhos postos no céu e na natureza, entre um bolo caseiro e um chá, o tempo há de de passar a voar…


EVOA – Espaço de Visitação e Observação de Aves 

Morada: EVOA, Lezíria Sul, V.F. Xira
Telm.: 926 458 963
www.evoa.pt

Distância de Lisboa: 46 km
Percurso recomendado: A1 e N10
Custo das portagens: 0,65€

Distância do Porto: 292 km
Percurso recomendado: A1 e N10
Custo das portagens: 20.60€

 

Receba as melhores oportunidades no seu e-mail
Registe-se agora

Boa
Vida