Estalagem Vila Joya - Albufeira

Ouro sobre Azul

Para quem conheceu o paraíso que foi o Algarve pelos anos sessenta, quando as intervenções arquitectónicas eram apenas exemplares de bom gosto inovador, passar a porta que dá o acesso a Vila Joya, é como passar para o outro lado do espelho. Sem ofensa para Lewis Carrol, de cuja obra se fica apenas pelo teor desta citação. Citação recorrente, é um facto, mas que neste caso concreto se aplica na exactidão. Passemos então o portão quase escondido no meio de um imenso muro que cumpre a sua função. É um segredo que esconde, e que segredo.

Calçada à portuguesa, no silêncio de um jardim mediterrânico, onde a frescura dos aromas que só o Algarve mantém se conjugam com a sua irrepetível luz branca, centram a abóbada de entrada. Entremos. Numa conjugação de arquitectura bem portuguesa, dessa tal época que foi áurea, com uma vertente mourisca, abre-se a amplitude da sala de entrada, com o lance branco de escadas particularmente elegante no seu equilíbrio arredondado, prolongado numa varanda que dá acesso a alguns dos quartos. Ao fundo a revelação do mar em azul. E é assim que o passado volta, na quietude do que foi, agora tratado eximiamente em ambiente de luxo, sem deixar de ter em conta a descontracção que se procura numa praia.

A Casa

Vila Joya é um caso exemplar de adaptação à hotelaria de charme de uma casa, que foi extraordinária, de férias, de uma família portuguesa.

Com uma dimensão e requinte fora do comum, que, curiosamente marcaram o Algarve de então. Olhar em paz a beleza do mar dos jardins de Vila Joya é um privilégio, extensível a qualquer parte do mundo. É fechar literalmente a porta ao caos urbanístico que proliferou nas últimas décadas, liquidando a maior parte da pureza da costa Algarvia, que fica para lá do muro. Da casa original, Vila Joya manteve o equilíbrio da dimensão.

Ana Ferreira 2006-04-12

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