Fica num vale profusamente florido, e ainda assim proporciona uma vista deslumbrante que só termina na linha do horizonte, depois de perpassar as encostas verdejantes e o mar. São cinco estrelas de Estalagem, todas elas perfeitamente identificadas nesta quinta construída do início do séc. XIX.
Era uma vez
Corria o ano de 1809 quando chegou à ilha da Madeira o britânico Henry Veitch, investido das funções de cônsul por Sua Majestade. Foi no sítio da Serra, concelho de Câmara de Lobos, que encontrou a localização ideal para construir a sua residência. A elevada concentração de humidade daquele vale era particularmente propícia ao desenvolvimento da vegetação, e a sua posição elevada permitia desfrutar das paisagens circundantes até ao Atlântico, lá em baixo.
A casa, em si, era imponente, mas o que fascinou inúmeros visitantes estrangeiros, durante anos a fio, foi a riqueza e a beleza do seu jardim. De tal forma que a propriedade aparece referenciada nalguma literatura da época, nomeadamente epistolar, como “Jardim”.
No limiar da fábula Claro está que um lugar destes despertou paixões tais e assistiu ao desenrolar de tantas histórias que não é fácil distinguir os relatos verídicos dos romanceados. Conta-se, por exemplo, que Henry Veitch teria sido sepultado, juntamente com o seu cão, num mausoléu erguido pela sua mulher para esse mesmo efeito, dentro da propriedade. No entanto, o cônsul, nascido no dia 02 de Julho de 1782 em Selkirk, na Escócia, viria a falecer na Madeira, a 07 de Agosto de 1857, e há registos que referem a sua sepultura como constando no cemitério inglês do Funchal. Certas, certas, são as descrições da época daquele privilegiado anfiteatro sobre o mar, coroado por cursos de água e engalanado com carvalhos, eucaliptos, pinheiros, cerejeiras, chá, café, canela e muitas outras plantações exóticas. Depois de uma intensa recuperação, a Quinta Jardim da Serra voltou a abrir os seus 50 mil metros quadrados ao exterior, desta feita sob a forma de Estalagem de cinco estrelas, inaugurada em Outubro de 2003.
Ana Marta Ramos 2005-04-15